01 julho 2017

MARIA NAS BODAS DE CANÁ (INTERCESSÃO OU INTROMISSÃO?)

Representação do episódio em Caná
Fonte: Academia Marial
Roma em seu desespero teológico de subsidiar a mariolatria nas páginas da Bíblia tem descido ao nível das seitas mais esdrúxulas como os mórmons ou as testemunhas de Jeová. Os teólogos romanos têm feito um esforço sobrecomum para forjar nas 16 passagens bíblicas em que a mãe de Jesus é referida diretamente uma suposta "mariologia". Uma das mais surradas pela igreja desviada é, sem dúvida, o episódio em que Jesus inicia o Seu ministério terreno nas Bodas de Caná, na Galileia (Jo 2.1-12). Ali, o magistério católico - que ufana-se de ter o direito exclusivo e registrado em cartório de interpretar as Escrituras - consegue enxergar, mais do que o início do ministério terreno de Jesus, uma suposta e indispensável "intercessão" de Maria sem a qual o milagre não teria ocorrido ou o Senhor o teria adiado para Jerusalém (Jo 2.13-17) e realizado o Seu primeiro sinal na própria Caná, mas na cura do filho de um oficial (cf. 4.43-54). Resumo da ópera: na teologia romana Jesus é quase ninguém sem a "intercessão" de Sua mãe. Mas será mesmo? O que ocorreu de fato em Caná com base na exegese e na hermenêutica bíblicas? Maria intercedeu de fato ou quis se intrometer? É o que vamos abordar como II parte da resposta à página Católicos Não Adoram Imagens. Vamos adotar aqui a versão católica da Bíblia "Edição Pastoral", da editora Paulus.
Pra começar, ao longo das narrativas evangélicas sobre a relação de Jesus com Sua mãe, notamos uma sensível discrepância de pontos-de-vista. Maria era sem dúvida uma mulher valorosa e temente a Deus (Lc 1.38), porém, evidentemente, Jesus sendo Deus e ciente de Sua missão, tinha uma visão mais transcendente. Maria olhava Jesus com seu olhar maternal; Jesus olhava o todo e todos com a necessidade precípua de conduzi-los a Seu Pai (Jo 6.38,39). Maria, embora serva de Deus, conduzia suas ações e impressões pelo prumo da vida presente "Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?" (Lc 1.34), perguntou ela a Gabriel. Não poucas vezes ela ficou sem compreender plenamente o que se dizia de Jesus e o que Ele fazia (Lc 2.33; cf. 48-51). Quando do episódio em que junto com seus outros filhos, foi em busca de Jesus (Lc 8.19-21), ela demonstrou estar claramente atrelada a um cordão umbilical que Jesus desde que iniciara Seu ministério fez questão de desatar. De certa forma, coisa de mãe... Mas vamos ao que realmente interessa!
A passagem das Bodas em Caná é mais uma daquelas que nos trazem meramente um texto DESCRITIVO e não PRESCRITIVO. Textos descritivos, em geral, não constituem nem devem constituir DOUTRINA. Aliás, todos os textos usados pelos apologetas católicos em defesa do marianismo são descritivos. Fazem parte de sua tentativa nefasta de manter o povo cego e cativo ao seu engodo religioso. O que mais nos interessa nos discursos dos 12 versículos sobre as Bodas, são:
  1. A preocupação de Maria (v.3);
  2. As palavras de Jesus a Maria (v. 4);
  3. A conclusão de Maria (v. 5).
Por inferência, o máximo que se pode intuir é que Maria já nutrisse alguma expectativa de Jesus Se revelar publicamente como o Messias. Em Caná, essa expectativa afluiu para uma necessidade particular: o constrangimento de uma família com o término do vinho. Maria diz: "Eles não têm mais vinho". Apesar de todo o simbolismo que envolvia o vinho numa festa de casamento na Palestina antiga, o que Maria quer denunciar a Jesus é o vexame social dos noivos. E por que Lucas expressa os sentimentos de Maria se não seriam relevantes para o milagre? Porque fazem parte do contexto. João informa que "Jesus também tinha sido convidado para essa festa de casamento, junto com seus discípulos." (v.2). Quem era o convidado primário dos noivos? Maria, que muito provavelmente era parente dos mesmos. João informa que ela já estava lá desde o começo da festa, que em geral durava de três a sete dias "houve uma festa de casamento... e a mãe de Jesus estava aí." (v.1)
A resposta de Jesus a Sua mãe "Mulher, que existe entre nós? Minha hora ainda não chegou." (v.4) ajuda a esclarecer muitos mal-entendidos interpretativos dessa passagem. O texto original grego diz:
ti emoi kai soi (lit. "o que [isso] tem a ver comigo ou com você")
Segundo Richards (2008) Jesus poderia estar perguntando gentilmente a Maria por que ela está falando sobre uma necessidade que Ele já entendeu e pretende satisfazer. Jesus não está Se recusando a agir, mas objetando de forma respeitosa ("mulher" é uma expressão de honra na cultura judaica) a ansiedade de Sua mãe. O Senhor pronuncia uma frase idiomática que equivaleria a um eufemismo na nossa língua portuguesa. Seria o mesmo que Ele dissesse "por que me apressais", porém o faz com delicadeza e ternura a Sua mãe. O ponto controverso do romanismo esta aí.
No seu afã de exaltar o suposto papel de Maria como co-redentora, Adjutrix, mediadora de todas as graças, a igreja do papa infere absurdamente que Jesus só agiu mediante a "intercessão" de Maria. Ou que os milagres de Jesus vêm mais rápido quando ela intervém junto ao Filho. Contudo, o fato do Salvador declarar ainda não ter chegado a Sua hora nos deixa patente, não a indispensável interferência de Maria, mas a consciência da exata hora de agir do Mestre (Jo 7.1-9). Seria absurdo pensarmos no Filho de Deus relapso e tomado pela surpresa. Que houve uma intervenção de Maria, teólogo nenhum pode negar, está escrito cabalmente. Mas daí afirmar que houve uma co-mediação na ação ministerial de Cristo é andar de mãos dadas com a heresia!
Em parte alguma do NT, a doutrina da intercessão de Maria se sustém. Para que esse heterodoxismo se consubstanciasse como didática apostólica, ele teria que constar no bojo teológico não só da Tradição, da Patrística e do Magistério romano, mas fundamentalmente na teologia neotestamentária. "Façam o que ele mandar."  ou na ARC "Fazei tudo que ele vos disser." (v.5b), revela não só o estado de inoperância de Maria, mas o senhorio absoluto de Jesus. Ela compreendeu perfeitamente o que Ele lhe disse deixando inteiramente em Suas mãos toda a solução do problema ali iminente. Em Suas funções sacerdotais, Jesus não depende nem precisa da mediação ou intercessão de nenhum outro ser (Hb 10.21).                  

18 junho 2017

O FATO DE SERMOS UM SÓ CORPO EM CRISTO, INCLUI OS SANTOS MORTOS E A SUA INTERCESSÃO PELOS VIVOS? (II PARTE DA RESPOSTA A MATEUS SANTOS)

Nesta segunda parte da resposta ao jovem Mateus, na questão da intercessão dos santos, vamos dissecar o sofisma romanista de que sendo a Igreja um só corpo (Rm 12.5; 1 Co 12.27; Cl 1.18,24) isso inclui os santos mortos. Mateus começa seu 3º artigo sobre o tema citando a passagem em que Paulo teve uma visão de um anjo rogando-lhe que se dirigisse à Macedônia (At 16.9,10). Começamos afirmando que essa referência é totalmente descabida ao assunto em questão. O texto diz assim:
"Durante a noite, Paulo teve uma visão: na sua frente estava de pé um macedônio que lhe suplicava: 'venha à Macedônia e ajude-nos! Depois dessa visão, procuramos partir para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para anunciar aí a Boa Notícia" (Edição Pastoral da Igreja Católica).
Aí podemos ver claramente que se trata de uma visão, algo simbólico que encerra uma revelação antecipada da realidade. Algo semelhante ocorreu com Pedro em Cesareia (At 10.9-16). Enxergar na passagem supracitada um caso de intercessão - e Mateus assevera que nela está indicado que Paulo não precisou ser onisciente nem onipresente - é mais que descontextualizar o texto, é aplicar-lhe um sentido completamente desconexo.
  1. Não é Paulo que está suplicando algo ou dirigindo-se em oração a algum santo;
  2. Não se trata de algum crente em particular a orar, mas muito provavelmente o personagem representa o oração coletiva da igreja na Macedônia;
  3. Paulo ainda não tinha estado lá;
  4. Trata-se tão somente da direção de Deus para o anúncio do Evangelho na Europa.
Puxemos, então, a descarga do argumento fétido que utiliza a passagem acima!
Agora, com relação à Igreja como o corpo místico de Cristo:
  1. Nas 115 ocorrências do termo grego ekklesia no NT nenhuma se refere ou inclui os santos mortos;
  2. Dessas 115 vezes, só em três casos não se faz referência à igreja cristã (At 19.32,39,41/na ARC o termo usado é "ajuntamento");
  3. Nas outras 112, todas se referem a uma assembleia, a uma reunião ou ajuntamento de pessoas (esse é o significado de "igreja" no original);
  4. Os santos não estão mais na terra, então, não podem mais ser "igreja", pois não podem mais se reunir fisicamente com os santos vivos.
Outrossim, todo aquele esforço de apresentar passagens nas quais a igreja é tida como um só corpo, no qual não haveria distinção entre céu e terra, entre fiéis vivos e fiéis mortos, é balela! Não serve para justificar o politeísmo idólatra de Roma.
Contudo, ensinado erroneamente pelos seus professores da batina, Mateus faz uma última tentativa citando Apocalipse 8.4, o qual diz:
"Da mão do Anjo, subia até Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos" (Edição Pastoral).
Estariam esses 'santos' intercedendo pela igreja na terra? A resposta é NÃO! Na verdade, aí Deus está atendendo uma petição feita pelos santos em favor deles mesmos. Na verdade, esses santos referidos são - admitido na nota de rodapé da própria edição católica da Bíblia citada acima - os mesmos mártires do capítulo 6, versículo 9,10 os quais serão mortos durante a Grande Tribulação. Eles não são intercessores de nenhum vivo, a não ser deles mesmos porque estão no céu, na presença de Deus.
Aqui encerramos esta 2ª parte da resposta a Mateus Santos (politeísmo até no nome...) e na próxima refutaremos mais falsos argumentos. Até lá!      
   

14 junho 2017

UM MEDIADOR E VÁRIOS INTERCESSORES? (UMA RESPOSTA AO JOVEM MATEUS SANTOS-PARTE I)

Para o romanismo o céu é um panteão onde Jesus não é suficiente para interceder junto ao Pai
Não é de hoje que o romanismo dissimula sua origem pagã e idólatra tentando dar uma aparência "bíblica" às suas heresias. Desde a Contra-Reforma, sobretudo, Roma vem fazendo verdadeiros malabarismos teológicos para sustentar seu nefasto domínio religioso. Uma das mais risíveis e contrassensuais doutrinas é a de que no céu, na presença de Deus Pai, os santos funcionam como uma espécie de "garotos de recado" junto a Jesus e Este como único Mediador (1 Tm 2.5) intercede finalmente junto ao Pai pelas petições feitas aos santos. Que burocracia, não!
Os sites romanistas de pseudos-apologistas repetem à exaustão essas asneiras tentando também, com isso, resguardar os fiéis mais pusilânimes de acabarem enveredando para alguma denominação evangélica (no linguajar de Roma, "seitas protestantes").
Cabe aqui pontuar que o jovem acima referido, simplesmente repete o paradoxo romanista de reconhecer que, de fato, Jesus é o único Mediador como exposto explicitamente por Paulo em sua primeira carta ao também jovem Timóteo. Entretanto, para acomodar seu velho politeísmo pagão, Roma criou o factoide de que a exclusiva mediação de Cristo não anula a intercessão dos santos, pois haveria diferença entre mediação e intercessão. Assim o texto de 1 Tm 2.5 não seria literal - indício de que haveria no céu uma numerosa equipe de plantão a auxiliar Cristo na Sua função de Mediador: os milhares de santos católicos...
O nosso interlocutor Mateus vê diferença entre mediador e intercessor sofismando em linhas gerais que o Mediador (Cristo) age na presença do Pai, enquanto os intercessores (os santos) funcionam como um canal mais próximo dos devotos, mas a mediação final quem faz é Cristo. Para dar uma aparência bíblica a essa aberração teológica, o jovem cita o texto de Rm 15.30 no qual Paulo roga as orações da primitiva igreja em Roma em favor dele. Haveria aí um caso de intercessão que, na inferência de Mateus, em nada decresceria a mediação de Cristo. Pois bem, o caso é que na passagem acima temos além de um texto meramente descritivo (e não prescritivo), um relato em que uma pessoa viva pede a intercessão junto a Deus de pessoas vivas! Esse poder de intercessão em oração e de concordância num propósito que glorifique a Deus foi dado à Igreja pelo próprio Jesus (Mt 18.18-20). Esse, inclusive é o contexto das "chaves" do Reino dos céus dadas inicialmente a Pedro (Mt 16.19) no sentido de abrir as portas do Evangelho aos gentios (At 10.34,35) e não de ter recebido de Cristo o báculo e o anel...
Ao contrário do que o romanismo tenta forjar como doutrina apostólica, a intercessão dos mortos pelos vivos é doutrina alheia à revelação bíblica-linear. De forma desesperada, o cristianismo paganizado de Roma tenta tirar do contexto passagens como a de Jr 15.1 para dar algum sustento "bíblico" a essa perniciosa heresia. Contudo, a verdadeira fonte escriturística da igreja desviada é mesmo o livro apócrifo de 1 Macabeus 15.12-15,onde supostamente o profeta bíblico intercede pelo povo judeu séculos depois de morto.
Pelo lado da verdadeira Palavra de Deus escrita (os 39 livros canônicos do AT e 27 do NT) não há diferença alguma entre mediador e intercessor, pois ao mesmo tempo em que Jesus é chamado de Mediador, também é descrito como único Intercessor diante do Pai (Rm 8.34; Ef 3.10-12;Hb 7.24,25, etc.). Cai por terra então os argumentos (na verdade, sofismas) do jovem Mateus e de sua organização religiosa de que Cristo precise de algum serviço extra de terceiros para realizar Sua função de Mediador.
Não vou refutar aqui as demais passagens citadas por Mateus que,  de tão descabidas e ridículas, não merecem "ibope". Concluo dizendo que o fato dos santos se encontrarem na presença de Deus não quer dizer que tenham por isso mais possibilidades de intercessão do que os santos vivos na terra. Posso ter um parente trabalhando na Casa Branca, mas daí eu conseguir falar com o presidente dos Estados Unidos pessoalmente por intermédio dele é outra história. Os santos não estão num 'estado de graça mais elevado' (como diz a igreja apóstata) que, embora mortos, possam ouvir desde onde estão as milhares de orações que lhe são dirigidas na terra. Para que isso fosse possível eles precisariam ser oniscientes e onipresentes, atributos que só Jesus como Deus possui. Por isso, é por excelência e exclusividade O ÚNICO MEDIADOR entre Deus e os homens!   
  
  

01 junho 2017

A ORIGEM "ERUDITA" DA TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO DAS TJs (Parte II da resposta a Pedro Calvache)

A TNM original publicada completa em inglês em 1960
Nesta II parte da resposta ao ancião das TJs, Pedro Calvache, vou reproduzir parte da dissertação de mestrado do pastor Ezequias Soares da Silva, intitulado Testemunhas de Jeová: a inserção de suas crenças no texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, defendida em 2007 perante a banca examinadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nela veremos o quanto a falsa bíblia da Sociedade Torre de Vigia é uma produção amadora, cultural e intelectualmente desonesta não tendo qualquer amparo erudito para suas distorções.
À medida das heresias da STV
Durante 66 anos desde que fora constituída oficialmente na Pensilvânia, a Sociedade Torre de Vigia (STV) se desdobrou para ensinar suas heresias através das versões tradicionais da Bíblia, principalmente em inglês. A dificuldade consistia naturalmente em ensinar doutrinas que sequer podiam ser lidas textualmente por seus alunos e interlocutores no texto bíblico. Foi assim que em 1946, já sob a presidência de Nathan Homer Knorr (3º presidente da seita), foi criado um projeto para a elaboração de uma versão oficial da organização.
Nessas seis décadas e meia, a STV fez de tudo para dar uma aparência "bíblica" às suas perniciosas doutrinas. E tudo começou evidentemente na presidência de seu fundador, Charles Russell. Em 1884, ele adquiriu os estatutos para publicar a Bíblia. Publicou, segundo Ezequias Soares da Silva, algumas versões conhecidas com notas explicativas no rodapé. Mais de 70 versões da Bíblia foram usadas de maneira eclética até 1960, quando a organização publicou finalmente a Tradução do Novo Mundo (TNM) completa contendo o Velho e o Novo Testamentos - chamada por eles de Escrituras Hebraico Aramaicas e Escrituras Gregas Cristãs, respectivamente.
Dentre as várias aquisições de direito de publicação, antes da produção da TNM, três versões se destacam em particular:
  • O Novo Testamento Interlinear Grego e Inglês (The Emphatic Diaglott), o famoso Diaglotão Enfático, adquirido em 1892;
  • A Versão Americana Normal (American Standard Version), adquirida em 1901;
  • E a Versão Autorizada (The King James Version), a Versão do Rei Tiago, adquirida em 1942.
O Emphatic Diaglott é um Novo Testamento Interlinear Grego-Inglês publicado em 1864 por Benjamin Wilson, um estudioso de Gênova, Illinois, EUA, sem formação acadêmica e membro de um grupo religioso sectário chamado cristadelfianismo. Mas o que interessaria à STV num Novo Testamento publicado por um homem membro de uma seita esdrúxula e sem erudição no grego? Simples. Algumas crenças comuns entre o cristadelfianismo e a organização de Jeová.
Benjamin Wilson
  Os cristadelfianos, assim como "os estudantes da Bíblia", criam na doutrina da presença (invisível) de Cristo, que Este era um deus secundário - daí também a tradução de João 1.1 por "e a Palavra era um deus". A STV reportou-se a essas crenças contidas no Diaglotão Enfático como "detalhes notáveis que contribuíam a um melhor entendimento da verdade". Segundo ainda, Silva (2007), até hoje a STV cita Wilson como erudito usando-o como autoridade em exegese e assuntos teológicos. O falecido erudito Bruce Metzger, num artigo publicado em Theology Today, em 1953, chamou o Diaglotão de "um ancestral da Tradução do Novo Mundo".
O Diaglotão Enfático, em inglês

Já em relação à Versão Americana Normal (American Standard Version), o interesse da STV explica-se por nela conter mais de 6.000 vezes o nome "Jeová" no Antigo Testamento.
Em relação à Versão Autorizada (KJV) - a mais respeitada e popular em língua inglesa no mundo -, o interesse do russellismo faz-se justificar pelo acréscimo a ela de títulos e uma concordância de acordo com as heresias da Torre de Vigia.
A antiga TNM em português
    Erudita e confiável, Calvache?
Como dito acima, foi em 1946 que Nathan H. Knorr criou secretamente o projeto para a produção da TNM. Estranho é que ele não comunicou a ninguém (exceto a Frederick Franz) a existência e o andamento desse projeto. O trabalho começou em 2 de dezembro de 1947. O anúncio somente foi feito, segundo o livro Testemunhas de Jeová - proclamadores do Reino, em 3 de setembro de 1949, numa reunião de diretores das corporações de Nova York e da Pensilvânia. Na ocasião, o presidente "anunciou-lhes que a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia havia terminado o trabalho de tradução em linguagem moderna das Escrituras Gregas Cristãs e a havia entregue à Sociedade para publicação". Na verdade, Nathan Knorr apenas anunciou a oito diretores a existência dessa suposta "comissão". Segundo Raymond Franz (sobrinho de Frederick Franz), com base na revista A Sentinela, edição de 15 de setembro de 1950, páginas 315 e 316, a diretoria só ficou sabendo do projeto naquele dia 3 de setembro. Estranho, não?
A primeira edição das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês, foi lançada em agosto de 1950. As Escrituras Hebraico Aramaicas foram lançadas em 5 volumes entre 1953 e 1960. As duas juntas, num só volume em inglês, foram lançadas, como dito, em 1960. A versão em português, completa, foi lançada em 1967.
O lançamento da TNM causou naturalmente uma reação negativa no meio acadêmico. As principais objeções dos eruditos foram:

  1. A inserção do nome "Jeová" 237 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs (o Novo Testamento) nas quais o tetragrama divino YHWH não ocorre sequer uma vez nos originais;
  2. A substituição do termo "cruz" por "estaca de tortura";
  3. A divindade de Jesus é obliterada (suprimida, eliminada);
  4. O Espírito Santo é grafado com letras iniciais minúsculas ("espírito santo") para indicar a crença da STV de que é "a força ativa de Jeová";
  5. A palavra "inferno" desaparece do texto e suas equivalentes Sheol, em hebraico, e Hades, Geena e Tártaro, em grego, aparecem sem tradução.
Como mencionado na I parte deste artigo, a STV também baniu de sua versão passagens consideradas espúrias como: o epílogo mais longo de Marcos 16.9-20; a perícope da mulher adúltera (Jo 7.53; 8.1-11); a cláusula joanina (1 Jo 5.7) e outras menos importantes. Explicamos que a STV fundamenta-se na teoria levantada por Westcott e Hort de que os MSS vindos a partir do século IX não eram confiáveis. Inferimos que afora o texto da cláusula joanina (onde a doutrina da Trindade está explícita), o maior motivo da STV apoiar o pressuposto dos dois eruditos britânicos do final do século XIX, é para dar algum apoio acadêmico às suas amputações e distorções teológicas na TNM. O corpo dirigente só não informa em suas publicações que Westcott e Hort, embora teólogos liberais, não apoiavam nem apoiariam uma série de aberrações doutrinárias das testemunhas de Jeová.
Frederick Franz, o verdadeiro pai da TNM - um "erudito" sem erudição
Os fatos que envolvem a produção da TNM e sua paternidade sob Frederick Franz deveriam ser do conhecimento de todas as TJs. Porém, a faceta maquiavélica da elite dirigente consegue manipular as informações e vedar o acesso a elas incutindo na mente de seus adeptos que toda informação produzida fora do grupo contra "a organização de Jeová", é uma ação do diabo para "destruir a verdade".
Esse talvez não seja o caso de Calvache, pois demonstra ser um homem pesquisador e até bem informado. No seu afã de defender as crenças jeovaístas, além de sutilmente irônico, ele demonstra conhecer obras não produzidas pela STV, pois posta seus vídeos rodeado por várias que adquiriu. Como ancião TJ, seu nível de aprofundamento nas barbáries doutrinárias do russellismo lhe dá convicção e segurança de pesquisar os fatos com a lente da Torre de Vigia.
A produção da TNM, a bíblia particular da TJs, evidencia muito da inescrupulosidade da elite dirigente dessa seita pseudocristã. A STV veicula até os dias de hoje que a TNM é produto de uma comissão anônima, comissão essa que teria traduzido a Bíblia desde os seus originais hebraico, aramaico e grego. A elite dirigente não divulgou esses nomes com o suposto intuito de dar 'toda honra a Jeová'. Felizmente a verdade dos fatos não é essa. Segundo o ex-integrante de Betel (a sede das TJs, em Nova York), William Cetnar, o problema era a qualificação acadêmica dos membros dessa comissão.
Dos seis membros da suposta comissão denunciados por Cetnar (Nathan Knorr; Cedar Point; Frederick Franz; Albert Schroeder; George Gangas e Milton Henschel), nenhum tinha qualificações acadêmicas para produzir uma tradução da Bíblia desde os seus originais. Entretanto, as literaturas antigas da STV apontavam Fred Franz como alguém que tinha erudição em hebraico e grego, como defendia Alexander Hugh Macmillan, contemporâneo mais novo de Russell. Essa aclamada "erudição" de Franz fez com que James Penton afirmasse que a TNM é obra de um único homem: Frederick William Franz. Mas, Fred Franz era mesmo qualificado para ser "o pai da TNM"?
Fred Franz, 4º presidente da STV e verdadeiro 'pai' da TNM

Paul Blizard, outro ex-betelita, investigou as credenciais de Franz. Ele foi até à Universidade de Cincinnati e lá encontrando o catálogo de 1911, página 119, constatou que Fred Franz não teve mais que duas horas de aula de nível introdutório no grego bíblico. Essas aulas eram uma simples inicialização de gramática e tradução elementar. As restantes 21 horas de grego eram não o grego koiné do NT e sim o grego clássico. Macmillan declarou que além do grego, Franz era erudito em hebraico, siríaco e latim. Contudo, na Universidade de Cincinnati não eram ensinados o hebraico e o siríaco, e no latim, Franz só teve 15 horas de aula. Poderiam 21 horas de grego clássico, 2 horas de grego bíblico e 15 horas de latim fazerem alguém erudito nos idiomas originais da Bíblia?
Além disso, o professor Arthur Kinsella não tinha Ph. D. em grego e por isso dava aulas de nível introdutório. Raymond Franz, sobrinho de Fred, afirmou certa vez que o tio era apenas autodidata em hebraico. O fato é que num julgamento na Escócia, foi solicitado a Fred Franz que traduzisse Gênesis 2.4. Ele acabou admitindo não conhecer a língua e que por isso não tentaria traduzir.
Essa é a qualificação que garante erudição e confiabilidade à TNM, segundo Calvache? Está exposto a falsidade intelectual da bíblia particular das TJs. Isso demonstra mais uma vez o nível de escrupulosidade dessa seita antibíblica ariana. Então, Calvache tem tudo - principalmente presunção sectarista - menos razão de alardear para todos sobre a suposta superioridade do texto da TNM. Esta não passa de um contrabando cultural produzido em nome da STV.
Pedro Calvache - tanto esforço por nada...
     
        



18 março 2017

A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO - ERUDITA E CONFIÁVEL? (UMA RESPOSTA A PEDRO CALVACHE-PARTE I)


A sutileza, engodo e o sectarismo anticristão da Sociedade Torre de Vigia (STV) já é de longa data conhecida por todos os estudantes de heresiologia e apologistas cristãos. Mas agora um discípulo de Fred Franz vem a público defender a Tradução do Novo Mundo (TNM), por meio de vídeos postados no you tube, a qual ele se jacta de classificar como "erudita e confiável". Trata-se de Pedro Calvache, ancião das TJs e seguidor das ideias heréticas de Russell e Rutherford.
Antes de mais nada, é preciso informar ao leitor que a TNM passou recentemente por uma revisão, em 2013, e em 2015 foi lançada a nova versão em português, com editoração moderna, mais recursos visuais, auxílios para o leitor, páginas em papel mais fino e sofisticado e capa e contracapa na cor prata, conforme a imagem abaixo:
  Agora o veneno da STV não se chama mais "Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas", mas "Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada". Mas o que ela tem de novo, além das velhas heresias contrabandeadas desde o Brooklyn, em Nova York? O que ela tem de "erudição e confiabilidade" que tanto Calvache despende horas de vídeo na web tentando defendê-la? É o que iremos abordar aqui.
Na parte I desses vídeos relativos a tal assunto, o ancião russellita começa insinuando que nós evangélicos temos medo da sua TNM, pois em seus contatos com estes, notou que os mesmos costumam demonizar a sua "perversão das Escrituras" desencorajando, inclusive, a sua aquisição.
Olha, Calvache, possa ser que realmente tenha algum irmãozinho mais simples que tenha ojeriza a sua condecorada TNM, tanto como ao famoso livro de São Cipriano. Eu, de fato, não aconselharia a sua leitura a nenhum novo-convertido ou membro pouco aprofundado nas verdades da Bíblia. Fato é também, que da minha parte não tenho nenhum problema em possuí-la, pois possuo tanto a versão de 1960 quanto a atual.
Mas o referido ancião jeovaísta - como já é de praxe da sua horda - começa o seu libelo tentando minar a credibilidade da ARC (Almeida Revista e Corrigida) que, como admitido por ele mesmo - trata-se da versão da Bíblia mais amada e respeitada em língua portuguesa no Brasil.
Sabedor desse apreço do crente tupiniquim pela versão empreendida pelo ex-padre e, posteriormente, pastor português João Ferreira Annes d'Almeida no século XVII, Calvache esforça-se por detratar a versão (que embora tenha passado por tantas revisões) ajudou a tirar tanta gente das "trevas espirituais" em quase 400 anos no Brasil.
Lançando mão de passagens onde o texto clássico de Almeida aflora certos arcaísmos e expressões que já caíram em desuso, principalmente na linguagem falada, o doutor russellita empenha-se na tentativa de mostrar a "exatidão e atualidade" da TNM em comparação com a ARC. Vamos analisar algumas de suas detrações em prol da sua corrompida TNM:
  1. "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus NARIZES o fôlego da vida..." (Gn 2.7).
  2. "E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: PEJADA estou" (2 Sm 11.5).
  3. "E passado o NOJO, enviou Davi, e a recolheu em sua casa, e lhe foi por mulher, e ela lhe deu um filho..." (2 Sm 11.27).
  4. "...nem TORPEZAS, nem PARVOÍCES, nem CHOCARRICES, que não convêm; mas, antes, ações de graças." (Ef 5.4).
Poderíamos supracitar uma infinidade de outros textos os quais a ARC traz uma série de termos e expressões que o leitor moderno desconhece o significado. Contudo, nos atemos aos acima citados por Calvache, em sua tentativa de "contraindicar a ARC e indicar a sua TNM".
Primeiro, deve-se saber que a versão original de Almeida é produto do século XVII e foi traduzida por um português em português corrente de Portugal! Embora tenha passado por várias revisões (por isso, ARC, Almeida Revista e Corrigida), mesmo os eruditos mais conservadores, reconhecem que ela ainda é cerca de 98% fiel à Almeida original. O mesmo não se pode falar da ARA (Almeida Revista e Atualizada) e de todas as versões subsequentes.
É mais que natural então que a ARC contenha ARCAÍSMOS, linguagem e vocabulário nos quais palavras e expressões há muito caíram em desuso.
Em Gn 2.7, não há erro de tradução, pois antigamente a expressão "narizes" era sinônima de "narinas", o que pode ser comprovado pesquisando a passagem na Almeida de 1819.
O mesmo acontece com a expressão "nojo" que já teve um dia o significado de "luto" em 2 Sm 11.5.
Agora, o fato das (per)versões TJs da Bíblia trazerem a atualização desses termos indica que a TNM é superior às demais traduções e a única fiel aos originais?
A resposta é um absoluto NÃO!
A atualização da linguagem e vocabulário é, de fato, uma necessidade não só da Bíblia, mas de muitas outras obras literárias clássicas e de inestimável valor entre o público.
Isso, porém, nunca foi, não é, e nunca será o principal objetivo da cúpula da Torre de Vigia. O alvo primário da STV com a publicação da TNM e da nova TNM é inserir suas crenças arianas no texto das Escrituras Sagradas. E o pior: propagandeá-la como "erudita"! Sob a manipulação cultural e psicológica da cúpula da STV (o "escravo fiel e discreto"), as TJs tentam empurrar goela abaixo dos incautos e despreparados que a TNM é a "mais exata versão" da Bíblia, a "mais consoante" aos originais hebraico, aramaico e grego e abalizada pelos eruditos bíblicos.
Calvache chega a citar o erudito Bruce Metzger e o seu Comentário Textual do Novo Testamento para ensejar a confiabilidade da TNM.
Porém, como é característico do cinismo e da desonestidade intelectual da STV, Calvache não se preocupa em revelar que o dr. Metzger (falecido em 2007) era membro da Igreja Presbiteriana e cria na Trindade, por exemplo. Aliás, essa é uma faceta nefasta da STV: citar fora do contexto eruditos bíblicos cristãos já falecidos, como o que A Sentinela de 01 de novembro de 1995 fez com o dr. Joseph Henry Thayer.
Em outra parte deste artigo, mais a frente, enfatizarei mais especificamente a questão histórica da TNM, o que ela é afinal?, é obra de quem?
Agora, inicialmente, tentarei me deter mais nas questões levantadas por Calvache no vídeo acima.
Passagens conturbadas ou conveniências arianas?
"Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum" (Mt 17.21).
"E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana (...) E disse-lhes: Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura (...) E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes..." (Mc 16.9-20).
"E cada um foi para a sua casa (...) E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério (...) E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais." (Jo 7.53; 8.1-11).
"Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um." (1 Jo 5.7).
"Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas" (Ap 22.14).
Vamos pois, dissecar cada uma dessas passagens citadas por Calvache em seu vídeo e ver qual aplicação ou não elas têm para a teologia da STV:
Mt 17.21 - Aqui eu vou reproduzir parte do comentário do pastor João Flávio Martinez, do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas):
"Bem, em primeiro lugar não é pelo fato de que uma palavra ou texto não se encontra nos manuscritos gregos mais antigos (no caso aqui do NT) que tal texto deva ser rejeitado.
Quando fazemos uma tradução utilizamos todos os textos, de todas as épocas e de vários idiomas. Podemos encontra um texto em Árabe, por exemplo, mais antigo que um texto grego. Isso não significa que, embora o texto grego não contenha (nesse nosso exemplo) a tal palavra, que ele não seja parte do escopo original, pois se encontra no texto em Árabe. Sendo assim, todos os manuscritos devem ser usados para uma análise mais ampla e fidedigna do documento em estudo. O Novo Testamento tem aproximadamente: 5 mil manuscritos gregos, 10 mil manuscritos em latim e 9 mil em outros idiomas. Todo esse material é importante em uma tradução.
Em segundo lugar, a palavra Jejum estando ou não ali não faria diferença. Afinal, Jesus não está dizendo que, para a expulsão de certos tipos de demônios, era necessário um período de oração e jejum. O princípio no texto em lide é outro: onde há pouca fé, há pouca oração e jejum (Mt. 17.19,20). Onde há muita oração e jejum resultante da dedicação genuína a Deus e à sua Palavra, há abundância de fé. Se os discípulos estivessem vivendo uma fé viva de oração e jejum como Jesus ensinou e praticou (veja a vida de Cristo), poderiam ter resolvido o caso."
Mc 16.9-20 - Aqui é verdade que eruditos como Bruce Metzger posicionava-se contrário ao epílogo mais longo de Marcos. Contudo, isso não quer dizer que os onze versículos em questão não sejam parte do texto inspirado. Pais da igreja como Justino Mártir (150 d.C.); Ticiano (175 d.C.); Irineu (180 d.C.) e Hipólito (200 d.C.) fazem menção a eles em seus escritos. Esses homens viveram 150 anos antes da composição do Códice Sinaítico e do Códice Vaticano, MSS que os que não aceitam a conclusão longa citam por se tratarem dos documentos mais antigos em grego e não contêm os 11 versículos em xeque. Versões em outras línguas como a Peshita (do ano 150 d.C., a mais antiga em outro idioma, que não o grego) os trazem. Algo relevante é que nunca se apresentou uma solução conclusiva para o súbito desfecho de Marcos no versículo 8.
Jo 7.53;8.1-11 - Conhecida em estudos acadêmicos de crítica textual como a "Perícope da Mulher Adúltera", essa passagem em quase nada contraria a teologia ariana da STV (a não ser o fato de que nela a plena divindade de Cristo está implícita, pois Ele perdoa pecados, coisa que só Deus pode fazer). O que na verdade Calvache quer assegurar citando essa celeuma erudita é o "direito" da STV a retalhar o capítulo 5 de 1 João, versículo 7, porque isso convém a sua heresia ariana.
1 Jo 5.7 - Esta passagem é o Comma Johanneum ou Cláusula Joanina. Aqui o interesse de Calvache e de sua seita herética é evidente. Precisamos reforçar aqui para que fique absolutamente claro ao leitor: a STV - como abordarei em outra parte deste artigo - não possui nem possuiu membro algum com formação erudita e versado nos idiomas originais da Bíblia! O próprio fundador da Torre de Vigia, Charles Russell, não tinha qualquer formação acadêmica nem conhecimento de hebraico ou grego.
Então, toda citação e toda referência citada pelas TJs como apoio à TNM será simplesmente "um erro copiando outros erros".
Para começar, todos os eruditos que se opõem ao versículo 7 de 1 João 5 classificando-o como um acréscimo posterior foram influenciados por Westcott e Hort (veja a imagem deles abaixo), os quais no século XIX - portanto, relativamente recente - formularam a teoria de que todos os MSS que vieram a partir do século IX da Era Cristã não eram confiáveis. Segundo eles, esses MSS teriam tido uma propensão maior de adulteração por parte de copistas que queriam inserir no Texto Sagrado as suas inclinações doutrinárias e teológicas.
Em 1881, os dois eruditos britânicos acima publicaram o seu Novo Testamento No Original Grego (The New Testament In The Original Greek, em inglês). Essa obra em conjunto com a teoria que desenvolveram afastava-se de toda a larga tradição da igreja cristã (em especial a protestante) que desde a Reforma adotara a coletânea de MSS publicada por Erasmo de Roterdã, em 1516. Essa coletânea de MSS publicada por Erasmo ficou conhecida na história por Texto Receptus, Texto Recebido, Texto Majoritário, Texto Tradicional ou Texto Bizantino e tinha como base uma abundância de MSS, que apesar de recentes (são do século VIII as cópias mais antigas) tinham a singularidade de quase não possuírem divergência entre si.
Por outro lado, Westcott e Hort apoiavam-se em MSS mais antigos (do IV século) que além de apenas dois (o Códice Sinaítico ou Álefe e o "B" ou Vaticano), apresentam mais de 14.800 alterações em comparação às cópias originais, segundo Tischendorf, o próprio descobridor do Códice Sinaítico).
O Texto Crítico de Westcott e Hort deu origem a versões mais recentes da Bíblia como a ARA (Almeida Revista e Atualizada), a NVI (Nova Versão Internacional), a BLH (Bíblia na Linguagem de Hoje), a BV (a Bíblia Viva), a NBLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), a Bíblia Dake de Estudo, a Bíblia Shedd e... a TNM (Tradução do Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová).
Já o Texto Majoritário deu origem a todas as grandes versões da Bíblia na época da Reforma, como a de Willian Tyndale (1526); a de Lutero (1545); a de Genebra (1588); a King James ou Versão do Rei Tiago (também chamada Versão Autorizada, de 1611); a de Almeida (1681/1753) e suas herdeiras até 1894; a ACF (Almeida Corrigida e Fiel, 1995) e a Bíblia de Estudo Scofiel (baseada na ACF).
Mas, por que a "organização de Jeová", ou seja, a cúpula da STV, que diz ser "a verdadeira religião" e "o único canal de comunicação entre Jeová e a humanidade" foi beber nas fontes envenenadas de Westcott e Hort, quando - ainda que fossem liberais - eram cristãos não-jeovaístas e não apoiariam muitas das graves heresias russellitas?
Ora, em primeiro lugar porque eles apoiavam a ideia de que 1 Jo 5.7 é um acréscimo enxertado por algum copista trinitariano... E isso interessa diretamente a horda ariana da STV!
A STV é um camaleão sempre disposto a "mudar de cor" quando encontram algo ou alguém que defenda o que também lhes interessa teologicamente.
Foi assim (veremos em particular em outra parte deste artigo) que Frederick Franz (o 4º presidente da seita) aproveitou o texto interlinear grego-inglês de Benjamin Wilson (Emphatic Diaglott, o Diaglotão Enfático), publicado em 1865, para produzir o Novo Testamento da TNM - chamada por eles de Escrituras Gregas Cristãs.
Wilson, não era e nunca foi uma TJ, mas era adepto de um movimento chamado cristadelfianismo o qual negava a Trindade e traduziu Jo 1.1 como "a palavra era um deus", em inglês. Wilson, além de antitrinitariano, era apenas autodidata e igual a seu discípulo Charles Taze Russell (o pai das TJs) não tinha qualquer erudição nas línguas maternas da Bíblia. Como então Calvache pode ladrar dizendo que a TNM é "erudita e confiável"? Para isso precisamos fazer uma investigação pormenorizada das origens da adulterada bíblia das TJs. Mas isso discorreremos na parte II deste artigo.



01 março 2017

O DECÁLOGO (OS DEZ MANDAMENTOS) É PADRÃO ABSOLUTO DE CONDUTA MORAL PARA O CRISTÃO?

Representação das tábuas do Decálogo


Quando você compra um medicamento na farmácia, ou por prescrição médica ou por automedicação, é do tipo que lê a bula ou confia piamente na prescrição sem querer saber as indicações, contraindicações, o modo correto de usá-lo e os efeitos colaterais? Pois é, se você é do tipo cauteloso, que lê a bula para buscar informações sobre o medicamento que irá usar, parabéns! Você dificilmente irá se intoxicar ou provocar alguma contrarreação danosa.

Semelhantemente, muita gente ao ler os Dez Mandamentos e perceber que o cristão não pode se omitir de cumpri-los, mesmo sob a Nova Aliança, tem se confundido pelo fato de entre eles estar o 4º mandamento do sábado.

Pois bem, para esses o sábado tem funcionado assim como aquela prescrição "médica" do seu amigo ou vizinho que por ter feito uso dele e ter tido resultados positivos, imagina que para você também funcionará, pois "é tiro e queda". Mas como bem bradou o profeta Oseias ao Reino do Norte:

"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento" (Os 4.6a).

É verdade - e não somos cegos para não ver - que o sábado está ali e ninguém pode arrancá-lo de lá, pois uma vez registrado por Moisés, estará para sempre nos anais das Escrituras Sagradas. Entretanto, ler a passagem sobre o sábado no Decálogo e concluir que ele continua vigorando porque os demais nove mandamentos reaparecem no Novo Testamento é o mesmo que se automedicar sem dar uma lida pormenorizada na bula!
Crentes legítimos têm se embananado com isso; ainda mais quando têm algum parente ou conhecido adventista.
Os meios de comunicação adventista (principalmente a TV Novo Tempo) gastam horas e horas de sua programação tentando incutir na mente de todos - em especial na dos evangélicos pentecostais - as suas heresias soteriológicas e escatológicas.
Há por parte deles, assim, um proselitismo incansável que infelizmente não é combatido com o mesmo vigor: nem pelos líderes evangélicos nas igrejas nem por qualquer canal evangélico (que em geral, só se preocupa com a saúde espiritual - outros só a física e financeira - do crente e esquece da doutrina cristã).
O sábado do 4º mandamento é aquele remédio de domínio popular que quase todo mundo conhece e baseado na experiência alheia usa -o sem cautela. O primeiro grande tropeço dos que concluem que por estar entre nove outros que o cristão não pode em hipótese alguma ignorar, também é passível de ser observado, é a questão SINTÉTICA pela qual está prescrito ali. Os Dez Mandamentos são apenas um esboço, resumo ou síntese da Lei, mas não a Lei no seu todo.
A prova disso é que os mandamentos de: 
  • Amar a Deus sobre todas as coisas (Dt 6.5)
  • E ao próximo como a si mesmo (Lv 19.18)
NÃO CONSTAM DO DECÁLOGO!
Não sendo o Decálogo completo:

  1.  Todo o rebuliço que os adventistas fazem em torno dele é como convidar seus vizinhos e parentes para a sua festa de aniversário e não se prover de comes e bebes suficiente para servi-los;
  2.  Eles assim o fazem (supervalorizam os Dez Mandamentos) não exatamente por exaltar o aspecto moral da Lei, mas por que o sábado ali está - e eles são SABADOPATAS, isto é, nutrem uma espécie de neurose coletiva a respeito da guarda do sétimo dia.


Mas já que eles se apegam tanto ao aspecto moral da Lei, interpretando erroneamente que o sábado é tão somente um mandamento moral, cabe usarmos as palavras de Jesus para eles quando nos acusam de "transgressores":

"Não julgueis para que não sejais julgados ... tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão" (Mt 7.1,5).


Interessante é que após nos indagar se podemos adorar outros deuses, fazer e adorar imagens, tomar o nome do Senhor em vão, desonrar nossos pais, matar, adulterar, furtar, dar falso testemunho e cobiçar as coisas alheias, eles usam para nós o texto de Tg 2.10 para insinuar que somos transgressores, "pois guardamos toda a lei e tropeçamos num ponto", o do 4º mandamento.
Agora, pergunte a eles se algum dia ouviram da boca de um evangélico suficientemente esclarecido a pretensão de "guardar toda a Lei"?
O único grupo "cristão" que arroga isso é eles próprios. Portanto, vejamos se de fato eles guardam o sábado ou se autoenquadram no texto que eles usam para nós.
1. No sétimo dia, israelita algum devia sair de casa (Êx 16.29,30);
- Por acaso, não sai o sabatista de casa aos sábados para ir à igreja? Lei é lei! E a Lei - que por sinal não é somente o Decálogo, mas todos os cinco livros de Moisés - dizia "cada um fique no seu lugar, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia".
2. No sábado era vedado ao povo acender fogo em suas casas (Êx 35.3).
- Será que mesmo cozinhando na sexta-feira, antes do por-do-sol, os sabatistas vão comer esse alimento frio, no sábado? Ou será que todos eles possuem micro-ondas? A Lei era severa e não fazia concessão! Ela dizia categoricamente: "Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia de sábado".
3. Se os discípulos de Ellen White - e nesse caso do sábado mais especificamente de Joseph Bates - desejam realmente guardar o sétimo dia, com todos os requisitos cerimoniais que o envolviam, têm que sacrificar dois cordeiros em holocausto, além de duas décimas de flor de farinha com azeite e sua libação (Nm 28.9,10).
- Será que estaríamos "pegando pesado" com a "Igreja Remanescente"? Essa é a Lei!
Assim, podemos comprovar por "a" mais "b" que o sábado do 4º mandamento não era somente um preceito moral, aleatório (o repouso físico apenas), mas um preceito cerimonial. O único dentre os dez pontos do Decálogo. Por isso, ele não se repete no Novo Testamento, ao contrário dos outros nove. Só ele era revestido de uma tipologia simbólica que se cumpre em Cristo (Mt 11.29; Hb 4.9,11). Assim, podemos dizer hoje, sob a Nova Aliança (Hb 8.6-13) que JESUS É O NOSSO SÁBADO OU ELE NOS INTRODUZ AO VERDADEIRO SÁBADO, que é não mais simplesmente o repouso físico, mas o repouso do fardo do pecado.
Os neolegalistas, entretanto, costumam sofismar dizendo que nós afirmamos que Cristo anulou a Lei. Aí eles citam Mt 5.17,18 para nos convencer que o Senhor veio, na verdade, cumprir e não anular, pois até que o céu e a Terra passem nenhum jota ou til se omitirá da Lei sem que tudo seja cumprido.
Todavia, nenhum evangélico verdadeiramente conhecedor das Escrituras afirmaria isso. De fato, Jesus veio cumprir integralmente os 613 pontos da Lei de Moisés (entre eles os Dez Mandamentos) e quando na Sua morte Ele disse "Está consumado" (Jo 19.30), pôde removê-la com todas as suas ordenanças que resultavam em nossa condenação (Cl 2.14). É por essa razão que Paulo escrevendo à igreja em Colossos, pôde dizer:

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos SÁBADOS , que SÃO SOMBRAS das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16,17, ênfase minha).

Embora os sabadopatas queiram negar que os sábados referidos acima não são os semanais, mas os anuais (não temos espaço neste artigo para entrarmos nessa questão), o fato é que o sábado não é prescrição para a Igreja, pois se tratava de um sinal do pacto celebrado entre Deus e Israel somente (Êx 31.13,17; Ez 20.12-13; 16,20).
Caso o sábado fosse obrigatório também para os cristãos, a Assembleia de Jerusalém não o teria omitido da pauta concernente aos mandamentos para os gentios (At 15.20,28). Também Paulo não deixaria a cargo da consciência de cada um o dia para se adorar a Deus (Rm 14.5). Bem como não chamaria a observância retrógrada da Lei - incluindo o sábado - de "rudimentos fracos e pobres" (Gl 4.9-11).
Mas para concluirmos, por que então os demais nove mandamentos reaparecem no Novo Testamento? Isso indica que todo o Decálogo continua a vigorar para o cristão, inclusive o sábado?
É porque mesmo não estando mais sob a Lei de Moisés (Gl 3.25), não somos foras-da-lei. Estamos sob a Lei de Cristo (Rm 10.4; Gl 6.2). Só que agora, na Nova Aliança, não cumprimos mais a Lei com esforço próprio para fugirmos da condenação, pela obrigatoriedade. Não é mais uma simples imposição legalista de fora para dentro, mas de dentro para fora. Cristo, pela Graça salvadora, implantou vida espiritual proveniente de Deus em nosso ser:

"Porque é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita NÃO COM TINTA [referência à Antiga Aliança], MAS COM O ESPÍRITO DO DEUS VIVO, NÃO EM TÁBUAS DE PEDRA, MAS NAS TÁBUAS DE CARNE DO CORAÇÃO" (2 Co 3.3, ênfase minha). A Lei dizia "faça e viva" (Ez 20.13a), mas Cristo diz "viva e faça" (2 Co 5.17). Assim que, o cristão, tendo vida espiritual deve naturalmente seguir o conselho de Paulo a Tito, que diz:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século, sóbria, justa e piamente (Tt 2.11,12 – ênfase minha).

Então, se desejamos viver neste mundo "sóbria, justa e piamente", iremos pela Graça salvadora e regeneradora cumprir todos os outros nove mandamentos do Decálogo, exceto, o sábado, esse é um rudimento "fraco e pobre" que deixamos para os adventistas!