07 abril 2018

ENTENDENDO O TERRORISMO JIHADISTA NA FRANÇA

Atentado no Dia da Bastilha - 86 mortos
UM ÓDIO SEM FIM
Um dos países mais desenvolvidos, prósperos e cultos do mundo tem sofrido nos últimos tempos com o extremismo jihadista do Estado Islâmico e da Al-Qaeda. Estarrecida, a comunidade mundial tem acompanhado pelos meios de comunicação cenas grotescas  que deixam a céu aberto, o nível mais desumano do radicalismo e da intolerância religiosa. Quando se pensava que todo sangue inocente já havia sido derramado em solo francês em episódios como a Noite de São Bartolomeu, as investidas nazistas na Segunda Guerra ou na Era de Napoleão, o jihadismo fundamentalista deixou novo rastro avermelhado nas ruas e estabelecimentos de cidades francesas.
Desde a invasão à sede do semanário satírico Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, conta-se nada menos que dez atentados realizados ou frustrados. Aliás, a sátira irresponsável do jornal francês à figura do "profeta" Maomé faz-nos questionar seriamente os limites da reclamada liberdade de expressão que a imprensa no seu todo defende. Será que liberdade significa mesmo não ter limites para se fazer tudo o que se pensa? E por outro lado, o cerceamento de representações intelectuais e produções artísticas irreverentes de temas religiosos significaria uma ditadura cultural?
Um dia depois da morte das 12 pessoas na invasão a sede do Charlie, Amedy Coulibaly matou um policial e feriu um agente municipal em Montrouge, ao sul de Paris. No dia seguinte, o mesmo Coulibaly fez reféns os clientes e funcionários de um supermercado judaico na capital matando quatro deles. Em novembro, veio o pior: atacantes suicidas mataram um total de 130 pessoas e deixaram mais de 350 feridos na casa de shows Bataclan e em vários bares e restaurantes do centro da capital. Houve também a explosão de uma bomba nos arredores do Stade de France, mais ao norte, em Saint-Denis, onde a seleção francesa jogava uma partida amistosa contra a Alemanha. A maioria das vítimas era jovem. O Estado Islâmico reivindicou os atentados. A mesma organização jihadista reivindicou o mais recente ataque em 14 de julho do ano passado, em Nice, no Dia da Bastilha, no qual 86 pessoas morreram atropeladas por um caminhão dirigido por um franco-tunisiano de 31 anos.
Indignados e perplexos com tanta violência e ódio sem fim, muitos não entendem o porquê desse extremismo religioso, no qual um grupo minoritário de uma grande religião tenta impor a força a sua ideologia radical de islamizar o mundo. Para se entender tudo isso na íntegra, precisa-se saber resumidamente o que são os grupos extremistas como EI. Por que eles agem assim? O que defendem? Qual a sua origem e representatividade no islã? Por que a França tem sido alvo constante de ataques terroristas? O que tem a ver esse país supostamente cristão com o islamismo? É isso que pretendemos abordar neste artigo, no intuito de não somente informar, mas conscientizar as pessoas a cerca da ameaça cada vez maior do fundamentalismo islâmico.
A origem ideológica dos grupos terroristas
O radicalismo islâmico tem sua fonte ideológica na chamada jihad, ou "guerra santa". A belicosidade dessa religião tem a sua explicação histórica pelo fato dos califas sucessores de Mohamed (Maomé), o seu fundador, terem levado ao pé da letra o significado original de "islã", que no princípio tinha uma conotação belicosa e não a atual de "submissão". Maomé iniciou a propagação oral da chahada, ou confissão de fé, mas foi rejeitado pelos chefes tribais de Meca. Em árabe, ela diz "La illah illa Alah; Muhammad rasul Alah" ou "Não há Deus senão Alá; Maomé é o mensageiro de Alah". A Arábia do século VII d.C., especialmente a região de Meca, onde o profeta muçulmano nasceu por volta de 570, era politeísta e havia muita corrupção moral, social e política entre os chefes coraixitas - tribo da qual Maomé descendia. Tudo isso descontentava a Maomé, mas especialmente o politeísmo idólatra indignava-lhe tendo ele recebido clara influência do monoteísmo judaico-cristão. Após 13 anos de perseguição, Maomé foi obrigado a fugir apara Iatrib, ao norte, cidade que veio a se chamar Medina. Esse acontecimento é conhecido no islã como hégira ou emigração e marca o ponto de partida do calendário islâmico.
No ano 630, Maomé voltou para conquistar Meca e governá-la, mas, curiosamente sem pegar em armas e sem derramar o sangue de seus algozes. O "profeta" acabou parcialmente com o politeísmo e o animismo idólatra de sua cidade. Digo parcialmente, pois conservou a Caaba, o edifício em forma de cubo, todo negro, que é o principal ponto de peregrinação a Meca - muito provavelmente a maior procissão religiosa do mundo, maior até que o Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Com o tempo a jihad foi registrada nas páginas do Corão ou Alcorão, o livro sagrado do islamismo. Ao princípio, todos os muçulmanos de acordo com Martin (1977) craim ser obrigação "sagrada" matar todos aqueles que não abraçassem a "verdadeira fé", a fé islâmica. Por sua interpretação mais moderada do Corão, os sunitas não adotam esse unilateralismo. Foi com base na guerra santa e principalmente sob o manto do Império Otomano, que o islã conquistou a maior parte do Oriente Médio, o norte da África, parte da Ásia Central e da Península Ibérica se transformando na 2ª maior religião do planeta, com 1 bilhão e 600 mil seguidores.
O ramo xiita do islamismo - donde vêm os grupos terroristas - levam a cabo essa "missão sagrada" de impor a crença em Alá. O grande problema é que (pelo menos confessionalmente) 2 bilhões e 200 mil pessoas se declaram cristãs no mundo, o país mais poderoso política, econômica e culturalmente do planeta é cristão, os EUA, e o local da Terra mais requerido pelos muçulmanos está em disputa com Israel: Jerusalém e a Palestina. Resultado: os alvos de maior ódio do fundamentalismo islâmico são os cristãos, os americanos e os judeus. Por que então a França tem sido alvo constante do terrorismo nos últimos dezenove meses (escrevi originalmente em julho de 2016)? Porque ela é cristã? Não necessariamente como veremos a seguir.
O neocolonialismo francês, a porta de entrada para o ódio muçulmano
Certamente muitos se lembram de Zinedine Zidane, o camisa 10 da seleção francesa que acabou com o sonho do penta na Copa de 1998. Pois é, o hoje técnico do Real Madrid não é genuinamente francês. É filho de imigrantes argelinos que foram para a França. A Argélia (como a Tunísia e o Marrocos) foi colônia francesa no norte da África, nos séculos XIX e XX. O que esses países têm em comum além da língua árabe é o fato de serem muçulmanos. Infelizmente, nem todos os imigrantes que vão ou foram para a França desejam ser jogadores de futebol ou outra profissão qualquer. No passado, seus ascendentes tiveram a sua pátria invadida e explorada política e economicamente na corrida desenfreada das potências europeias, o chamado Neocolonialismo. Houve naturalmente uma permuta populacional e cultural entre Metrópole e Colônia. Ao princípio, mais numa via única: a de franceses indo para a África. A partir da segunda metade do século XX foram argelinos, marroquinos e tunisianos que imigraram para ex-metrópole. Em estimativa não oficial de 2014, levanta-se que há 6,5 milhões de muçulmanos vivendo na França, o que corresponde a 10% da população de 66 milhões. Fala-se mesmo em islamização da sociedade francesa, pois até grandes redes de supermercados como o Carrefour vendem livros que pregam abertamente a jihad e o assassinato de "infiéis" (os não-muçulmanos).
Grande parte dessa massa muçulmana foi constituir guetos, herdando o desemprego, o subemprego e a marginalização. Estima-se que 60% da população carcerária da França, ou 40 mil detentos, são "cultural ou originariamente" muçulmanos. Isso resulta em lastro generalizado de discriminação e xenofobia por parte dos franceses nativos. Assim sendo, pode-se dizer que o passado colonialista e imperial francês, com sua prepotência, arrogância e egoísmo têm sua parte significativa nesse caos social e humanitário que vemos hoje na terra da cultura e do requinte. Desde a proibição do uso do véu e da burca por mulheres muçulmanas em lugares públicos, ainda no governo de Jacques Chirac, em 2004, criaram-se vários barris de pólvora prontos a explodir a qualquer momento. A já natural predisposição do imigrante muçulmano à guerra santa é corroborada pela sua revolta contra as vexações por que passam em território francês. É claro que isso não justifica o fundamentalismo jihadista, mas aí é que entra em ação o aliciamento do EI, principalmente entre os mais jovens. Isto a organização terrorista tem feito em várias partes do mundo (até no Brasil e no Pará) por meio das redes sociais. Contudo, a França é mesmo o grande alvo do EI e outras possíveis explicações passaremos a ver agora.
Outras possíveis razões do alvo extremista do E.I.
Segundo o porta-voz do EI, Abu Mohamed Al-Adnani "Bata com uma pedra na cabeça, ou mate com uma faca, ou atropele com seu carro, ou empurre de um lugar alto, ou asfixie, ou envenene" são ações perfeitamente justificáveis na causa de Alá. O extremismo islâmico não mede crueldade quando o assunto é executar "os descrentes ocidentais", especialmente "os sujos e desprezíveis franceses". Quem já teve coragem de ver a execução de cerca de 30 cristãos (entre eles vários pastores) numa praia da Líbia, sabe do que estamos falando. Entretanto, o ódio aos franceses pelo EI é especulado em várias frentes. Uma delas fala do envolvimento francês na coalizão contra os jihadistas no Oriente Médio. Outra conjectura como causa a investida contra os valores do Iluminismo do século XVIII, os quais são contrários à visão totalitária de mundo dos jihadistas. Outra análise vê no fato da França ser o lugar da Revolução de 1789 e da origem ideológica do Século das Luzes outra razão do extremismo anti-francês. Devido a isso, os franceses são apegados a valores republicanos e ao laicismo, algo totalmente contrário ao islã radical. Segundo os estudiosos, o EI tenta fazer com que a população muçulmana seja cada vez mais estigmatizada na França e acabe abraçando o fundamentalismo islâmico. Isso resultaria  numa guerra civil, segundo o cientista político Gilles Kepel, em entrevista ao Le Monde. Além do já citado passado colonial francês de exploração e subjugação  a povos muçulmanos, a França assinou com o Reino Unido o acordo Sykes-Picot, que em 1916 desmantelou o Império Otomano resultando em diferentes países com fronteiras artificiais (ex: Síria-Iraque). Assim, mesmo lamentando profundamente as centenas de vidas perdidas nesses últimos tempos, a França está pagando a conta de sua desmesura política e de prepotência imperial, que, junto a outras nações, retalhou e devastou diversas regiões da África e da Ásia a custo de sede de poder e influência sobre os países mais pobres e subdesenvolvidos. Ganância, aliás, que foi basicamente a causa das duas Grandes Guerras Mundiais.
Uma radiografia bíblico-teológica do jihadismo
Muitos de forma irrefletida e superficial imaginam que Alá, o deus do islamismo, é o mesmo Deus de judeus e cristãos pelo simples fato dessa religião ser monoteísta, além de afirmar ser a cumulação da tradição judaico-cristã. Há, no entanto, diferenças substanciais no âmbito teológico e doutrinário que não endossam essa afirmação pluralista e inclusivista. Vejamos as mais importantes abaixo:
TEMA                                    CRENÇA MUÇULMANA 
Fonte de Autoridade             O Corão
A Bíblia                                   Rejeitam-na 
Deus                                        Alá
O caráter de Deus                  Caprichoso e vingativo
Relacionamento com Deus   Submetem-se por medo 
A Trindade cristã                    Um pecado imperdoável
Constituição da Trindade      Alá, Jesus e Maria (1)
Jesus Cristo                           Um profeta histórico
O Espírito Santo                     O anjo Gabriel
O sacrifício de Cristo             Uma lenda cristã
A ressurreição de Cristo       Jamais ocorreu
O Céu ou Paraíso                   Um lugar de prazer sexual
Quem merecerá o céu           Somente os muçulmanos
Quem merecerá o inferno     Todos os não-muçulmanos
O Corão                                  O livro sagrado do islã
Alá                                           O único deus
Maomé                                    O mensageiro de Alá
Tolerância religiosa               Nenhuma entre os xiitas (4)
Relação com Israel                De ódio e repulsa
TEMA                                    CRENÇA CRISTà
Fonte de Autoridade             A Bíblia
A Bíblia                                   Tem-na como única regra 
Deus                                        Iavé ou Jeová
O caráter de Deus                  Santo, justo e amoroso
Relacionamento com Deus   Servem-no por amor 
A Trindade cristã                    Uma verdade fundamental
Constituição da Trindade      Pai, Filho e Espírito Santo
Jesus Cristo                           O Filho eterno de Deus
O Espírito Santo                     A 3ª Pessoa da Trindade
O sacrifício de Cristo             Fato central da fé cristã
A ressurreição de Cristo       Pilar da esperança cristã
O Céu ou Paraíso                   Lugar de prazer espiritual
Quem merecerá o céu           Somente os regenerados
Quem merecerá o inferno     Os incrédulos e impenitentes
O Corão                                  Um livro humano (2)
Alá                                           Um deus tribal pré-islâmico (3)
Maomé                                    Um falso profeta entre tantos
Tolerância religiosa               Plena 

Relação com Israel                Amistosa e de respeito
(1) Os muçulmanos assim entendem a Trindade cristã, sem representar contudo a sua crença.
(2) Segundo os estudiosos do islamismo, muitos conceitos do Corão já existiam antes de Maomé fundar sua religião. O fato de citar personagens bíblicos como Adão, Abraão, Jesus e certos conceitos judaico-cristãos, indicaria que o livro sagrado do islamismo não é original, ainda que os muçulmanos afirmem que a suposta revelação dada a Maomé por Alá sela o clímax e o ponto final da manifestação divina à humanidade.
(3) Alá já existia na Arábia antes do islamismo e era adorado como o deus-lua.
(4) Os sunitas, que constituem cerca de 80% dos muçulmanos no mundo, são mais moderados, mas mesmo nos países onde prevalecem (como a própria Arábia Saudita), não há liberdade de propagar outras religiões.
Bibliografia
MARTIN, Valter. O Império das Seitas. Belo Horizonte: Betânia, 1992. v. 2. 127 p.
MENEZES, Aldo. Islamismo. Sola Scriptura blog [S.I.; s.d.]. Disponível em: <http://solascriptura-tt.org/seitas/islamismo-Aldo Menezes.htm>Acesso em: 20 jan. 2016.
O Homem em Busca de Deus. Cesário Lange, SP: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1990. 372 p.
Rafik Responde ao Islã blog. [S.I.: s.d.]. Disponível em: http://rafikresponde.blogspot.com. Acesso em: 20 jan. 2016.

03 fevereiro 2018

CONTRA-TRÉPLICA À PÁGINA "O PUBLICADOR DO REINO"

"O Publicador do Riso", sua teologia é uma piada! Seus seguidores tejoquinhas ficaram irados. Mas tudo bem, como ex-mórmon estou acostumado com o zelo sectário. Pra começar eu não acho que refutei. Eu refutei. Só você e sua truppie não perceberam, pois "... o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência..." (1 Tm 4.1,2).
Vamos as sua tréplicas:
1- A cópia vem sempre depois da original. Para que uma cópia exista, a original tem que existir antes.
RESPOSTA: Preciso lembrá-lo de duas coisas básicas: estamos tratando de assuntos além da esfera física, estamos tratando de Deus. Segundo, você se apega como falei a uma quarta acepção do termo grego character e mesmo assim aproveita somente a expressão "cópia" ignorando que Cristo não é somente uma "cópia" qualquer, Ele é a "cópia exata" do Pai. Exato= certo, correto; preciso, rigoroso; perfeito, esmerado. Desse modo, a sua ênfase recai somente sobre o que lhe convém - como é praxe da Sociedade Torre das Asneiras. Ignora também que para que a cópia seja uma cópia precisa, rigorosa, ela precisa receber da original a essência exata que já existia antes, caso contrário não seria uma cópia... Cristo é a cópia fiel do Pai, pois dEste recebeu a essência de Seu Ser divino, que convenhamos é Eterno.
Não sem razão, Jesus declara por 7 vezes no evangelho de João ser o Eu Sou (EU SOU o pão da vida, Jo 6.35, EU SOU a luz do mundo, Jo 8.12, EU SOU a porta das ovelhas, Jo 10.7,9, EU SOU o Bom Pastor, Jo 10.11,14, EU SOU a ressurreição e a vida, Jo 11.25, EU SOU o caminho, a verdade e a vida, Jo 14.6, EU SOU a videira verdadeira, Jo 15.1,5 e a obscura "comissão" da nova TNM não teve a cara de pau de traduzir ego eimi por "eu já existia", como em Jo 8.58 apenas para descaracterizar que Jesus é de fato o EU SOU de Êx 3.14. Vou repetir: Jesus declara por 7 vezes ser o EU SOU. O número sete na Bíblia, por acaso, não faz referência a Deus?...
2- Jesus só possui divindade porque foi do agrado do Pai (Cl 1.19). A original não depende da cópia, mas a cópia depende da original. Toda cópia tem um início assim como Jesus teve (Ap 3.14).
RESPOSTA:  O que é mais importante numa outorga de plenos poderes ao comissionado para exercê-lo por representação de outrem? A vontade do outorgante ou o fato da plena capacidade de exercício jurídico do outorgado? Se o outorgado não tivesse aptidão em si mesmo poderia representar o outorgante? Se foi do agrado do Pai que em Cristo habitasse toda a plenitude (plerõmaa plena deidade), haveria ela de existir meramente numa deidade secundária? Não haveria sentido o mesmo Paulo declarar no contexto desse capítulo que Cristo é "imagem do Deus invisível" (v.15) nem de que Ele criou todas as coisas (v.v. 16-18). Se Cristo é Criador não pode ser criatura; se Ele é criatura não pode ser Criador, pois este ofício é exclusivo de quem transcende a criação (Is 42.5; 43.1,15; 45.9,11-12, 18)Aliás, o texto de Cl 1.15-18 é uma das provas mais contundentes da falsidade teológica da STV, pois na antiga TNM nota-se a presença de colchetes com a palavra "outras" quatro vezes deixando claro o texto estrategicamente adulterado da Torre de Vigia. Na nova TNM até os colchetes foram suprimidos mostrando que o neoarianismo jeovaísta é capaz de interpolar até as suas próprias interpolações. Quando o apóstolo diz mais adiante que em Cristo habita corporalmente toda "a plenitude da divindade" (Cl 2.9), ele está falando que no Homem Jesus a plena medida, a totalidade, a completude do único Deus verdadeiro habita nEle de forma total e perfeita. Não é um caso apenas de se possuir "qualidade divina" como traduz deturpadamente a TNM. Até mesmo aos salvos, Deus quis comunicar a Sua natureza perfeita e santa a fim de capacitá-los a viverem em plena comunhão com Ele (Jo 1.16). É claro que essa plenitude se dá no aspecto moral no cristão, pois o homem é criatura e Deus é Criador. Já no caso de Cristo isso se dá de forma literal, pois só Ele é o Unigênito do Pai (Jo 1.14), isto é, o único gerado diretamente pelo Pai, o único do tipo ou da mesma essência do Pai.
Apocalipse 3.14 está dizendo que Jesus foi o primeiro Ser criado por Deus?
Essa é uma das mais surradas afirmativas arianas da STV e uma das maiores provas de seu cinismo intelectual. A expressão usada por João "princípio da criação de Deus" para Jesus nunca significou que Ele é a primeira criatura. O termo grego archê segundo o Dicionário Strong tem o sentido de origem, causa e não a consequência de uma ação. No próprio versículo é dito que Cristo é o "Amém", ou seja, toda ação planejada pelo Pai na eternidade tem o Filho como o consumador, o finalizador, o executor tanto da obra criativa (Jo 1.3)quanto da obra redentora (Jo 19.30a) como do Juízo Final (Jo 5.22).
Curioso é que a desonestidade da Torre de Vigia é tão cretina que ela manteve a mesma expressão em português das versões de Almeida na TNM. Assim ela pode facilmente incutir na mente dos ignaros que Cristo foi a primeira criação de Jeová. Patético!
3- Jesus não quis ser igual a Deus? (Fp 2.6). Aqui a "organização de Jeová" descaracteriza a passagem enfatizando como sempre somente o que lhe convém.
RESPOSTA: A STV sabe que a passagem acima é um dos textos-chave para as afirmativas trinitarianas, por isso ela procura desesperadamente uma falsa exegese que caiba em sua teologia ariana. É bom salientar que o contexto dessa afirmação de Paulo, que vai dos versículos 5-11 é uma das armas mais letais para fulminar as pretensões russellitas. Paulo discorre aos seus destinatários filipenses sobre HUMILDADE é cita Jesus como exemplo mais perfeito dessa qualidade que havia de habitar cada cristão. Jesus embora fosse Deus não quis usurpar, isto é, apossar-se pela força da igualdade com o Pai. Aí é imprescindível fazer-nos a seguinte pergunta: sob qual condição Cristo não desejou tomar a força a igualdade com o Pai? A condição anterior à Encarnação (Jo 1.14) ou na Encarnação? A passagem nos mostra claramente que foi na condição de Deus feito Homem que Cristo esvaziou-Se, ou seja abriu voluntariamente mão de suas prerrogativas de Deus Todo-Poderoso. Ele não deixou de ser Deus enquanto Homem, mas renunciou a Sua condição para depois retomá-la sob exaltação (Mt 28.18). E por quê? Porque foi obediente ao plano do Pai até a morte e o foi obediente como Homem, como o Servo Sofredor de Is 53.
Outro detalhe importante é que ao declarar "É-me dado todo o poder no céu e na terra", Jesus não está insinuando qualquer inferioridade substancial em relação ao Pai. Segundo o raciocínio jeovaísta, se todo o poder foi-Lhe dado, é porque Jesus é um Ser subordinado e inferior a Jeová recebendo o que antes não tinha. Assim, o Todo-Poderoso seria apenas Jeová que teria apenas nomeado seu subordinado Filho para representá-Lo, digamos assim. Entretanto, Jesus apenas retomou por direito de primogenitura o que já era Seu (Cl 1.15,16b) e também por legalidade o que legitimamente conquistou com Sua submissão ao Pai (Fp 2.8,9). Na primeira acepção Jesus retomou sua Onipotência por ser naturalmente Deus; na segunda a reconquistou por ter sido obediente e vitorioso em Sua natureza humana. Então não há nada em Mt 28.18 que reduza Cristo a um mero serviçal de Jeová.
4- Deus poderia orar a Si mesmo e morrer? (Lc 23.46). As tejoquinhas fazem muito barulho levantando essa questão, que convenhamos, é até tola e pueril diante do que já expomos aqui.
RESPOSTA: Tal pergunta capciosa simplesmente não cabe de acordo com a teologia trinitariana. Ela teria algum sentido se fôssemos unicistas, ou seja, acreditássemos haver apenas uma Pessoa na divindade (caso das seitas modalistas). As Escrituras ensinam desde o Antigo Testamento até o Novo a existência de um só Deus. No entanto, com o advento de Jesus a Terra e a composição da revelação escriturística cristã, além do Pai (1 Pe 1.2), outras duas Pessoas são chamadas Deus: O Filho (Jo 1.1; 10.33; Rm 9.5; Fp 2.6; Cl 2.9; 1 Tm 3.16; Tt 2.13; Hb 1.8; 1 Jo 5.20) e o Espírito Santo (At 5.3,4). Ora, a própria Torre de Vigia para defender suas heréticas convicções de que Deus não pode ser uma Trindade, diz que Deus não é de confusão (1 Co 14.33). E a confusão quem faz são as próprias TJs. Se existem Três diferentes e distintas Pessoas na divindade e as Escrituras afirmam e reafirmam o monoteísmo, a conclusão lógica e coerente é que não pode haver três deuses, mas um Deus que subsiste em três Pessoas. Assim, não há nem um absurdo nem algo ilógico Jesus (uma Pessoa) orar ao Pai (outra Pessoa). De maneira análoga o próprio Jesus afirma que os cristãos devem ser "um" no Pai e no Filho da mesma forma que Ele e o Pai são "um" e harmonia e comunhão (Jo 17.21). Então, se somos "um" com o Pai e o Filho seria ilógico também orarmos aos dois, já que aquilo que se encontra unido não necessita ser reunido. Acontece que assim como ainda não estamos literalmente na presença de Deus nos céus e precisamos orar a Ele para termos acesso a Sua presença, Jesus na Terra deixou temporariamente a presença do Pai e precisava orar a Ele devido aos limites impostos pela Sua Encarnação. Assim, na cruz, o Senhor não estava orando a Si mesmo como sofismam as TJs, Ele estava orando a outra Pessoa divina, o Pai.
Agora, quanto a questão de Deus não poder morrer, isto é outra técnica (muito frágil para os mais fundamentados na Palavra, por sinal) de persuasão russellita para os incautos e vacilantes. Se Deus na Pessoa do Filho não Se fizesse homem, óbvio! Jamais poderia morrer! O aço ou qualquer outra liga metálica só pode ser manipulada num estado líquido à temperatura de aproximadamente 1.500 graus Celsius. Não sendo assim, seria simplesmente impossível produzir algo para a indústria a partir dele. Da mesma forma seria impossível o Filho de Deus morrer se não tomasse a natureza humana. Jesus não morreu como Deus, morreu como Homem. Além do mais se Jesus viesse simplesmente como Deus, o Plano de Redenção não poderia ser realizado, pois o Pecado Original exigia a remissão através do sangue de um ser humano justo, puro, santo (Hb 9.14,22), assim como eram Adão e Eva antes da Queda. Há um princípio jurídico de equivalência no ato redentor de Cristo no qual um casal humano anteriormente perfeito necessitava ser remido por um humano perfeito. Além de Deus não poder realmente morrer, não foi Deus que pecou, mas o homem. Assim, a morte de Jesus só foi possível porque o "Verbo se fez carne" (Jo 1.14).
5- Jesus é inferior a Deus (o Pai) porque no fim Se sujeitará a Ele (1 Co 15.28). Na tentativa de provar suas fraudes teológicas, a STV desencava qualquer texto isolado que aparentemente fundamente suas crenças arianas.
RESPOSTA: Se a mesma indagação vale para questionar a igualdade de Jesus com o Pai, então serve para perguntarmos às testemunhas de Russell e Rutherford se até esse período Jeová teve a Sua soberania obliterada pelo reinado de Cristo (v.v. 24,25). A questão aqui não é de igualdade ou inferioridade entre o Pai e o Filho, mas de hierarquia funcional e harmonia entre as Pessoas divinas. Há hierarquia no céu e hierarquia remete naturalmente a função. Entre as hostes angelicais há arcanjo, serafins, querubins, tronos, principados, autoridade e potestades (Jd 9; 1 Ts 4.16; Is 6.2; Ez 10.1-3; Cl 1.16). Todavia, a Bíblia diz que essencialmente eles são todos iguais, pois todos são espíritos (Hb 1.14). A diferença está na função que cada um desempenha. Miguel é uma espécie de administrador e protetor dos interesses divinos em relação a Israel (Dn 12.1). Os querubins têm uma ligação ao trono de Deus (1 Sm 4.4; 2 Rs 19.15; Sl 80.1; 99.1; Is 37.16). Os serafins estão ligados ao serviço de adoração e louvor a Deus (Is 6.1-3), etc. Semelhantemente há uma hierarquia entre as três Pessoas da Santíssima Trindade. O Filho dá testemunho do Pai e O glorifica (Jo 17.4,6); o Espírito Santo dá testemunho do Filho e O glorifica (Jo 16.14). Entretanto, o mesmo Pai dá testemunho do Filho e O glorifica (Mt 3.17; Jo 17.1,5). O fato de um subalterno honrar e obedecer ao seu superior numa empresa não quer dizer que lhe é inferior em natureza, pois ambos são seres humanos de carne e ossos. Da mesma forma, ao Se submeter ao Pai, o Filho não-Lhe está sendo inferior em natureza, mas apenas cumprindo Sua função na hierarquia divina. Será que as TJs teriam coragem de dizer que Jeová está Se submetendo a Jesus ao lerem que o Pai glorifica o Filho? Desse  modo, o que o texto de 1 Co 15.28 quer dizer é que na consumação de todas as coisas todos, inclusive o Filho, serão um no Pai e para Ele tudo e todos convergirão numa perfeita harmonia eterna.
6- Jesus nunca disse ser Deus (Jo 17.3) e afirmou que o Pai era maior do que Ele (Jo 14.28). A STV sofisma que Jesus nunca afirmou ser Deus, mas o Filho de Deus e isso corrobora a sua crença de que Ele é uma criatura, um "deus menor".
RESPOSTA: Jesus de fato nunca disse verbalmente "sou Deus", mas o próprio Jeová assim O chama "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino" (Hb 1.8). Diante da clareza dessa declaração do próprio Pai, a Torre de Vigia verteu a sentença na TNM colocando o substantivo Deus como sujeito passivo e remetendo-o ao próprio Pai "Deus é o seu trono para todo o sempre...". Criaram um nonsense total, já que se é o Pai que fala por que não diz "Eu sou o seu trono"? Se o trono de Cristo é o Seu Pai, logo, quem reinará até esse reino ser entregue a Deus? (1 Co 15.28). E mais: Onde fica a doutrina russellita que diz que Cristo governa desde 1914 como "Rei Ungido" de Jeová?
A respeito de Jesus ter dito em Jo 17.3 para que se conheça ao Pai como único Deus verdadeiro, se isto exclui Jesus da única divindade verdadeira, então Jeová também está excluído do senhorio sobre o universo, pois Judas diz que Jesus é o único dominador e Senhor (Jd 4b). Então, claro está que as palavras de Jesus não podem ser compreendidas à luz do monoteísmo ariano da STV. Se em Jesus o Pai Se revelou de forma plena e especial (Jo 1.18; 14.9), a conclusão óbvia é que Cristo está apenas realçando em outras palavras ser o único caminho para se conhecer o Pai (Jo 14.6). Agora, interessante é que Jesus coloca a necessidade de se conhecê-Lo no mesmo nível de importância de se conhecer ao Pai.
Mas voltando ao assunto de Jesus nunca ter dito verbalmente "sou Deus", Ele pode realmente não ter Se expressado nessas palavras, entretanto, quer declaração mais aberta do que ter dito "EU SOU"? (Jo 8.58). Além disso, Ele permitiu ser adorado (Mt 14.33); foi chamado de Deus por Tomé e não o repreendeu por isso (Jo 20.28,29) e ainda foi chamado de Deus por João (Jo 1.1; 1 Jo 5.20) e por Paulo (Rm 9.5).
Quanto ao ter dito ser o Pai maior do que Ele, basta dar um pulo em Hb 2.9 para entendermos que Jesus em Sua humanidade foi feito menor até do que os anjos, imagina em relação ao Pai! Agora perguntamos: após sua ressurreição e ascensão, Cristo permanece inferior aos anjos? Da mesma forma, ao retornar aos céus, Jesus retomou a Sua igualdade com o Pai antes que houvesse mundo (Jo 17.5). Isto serve para refutar inclusive o último assunto deste artigo.
7- O fato de Jesus não saber o dia da Sua volta prova que Ele não é igual ao Pai? (Mt 24.36). Esse é um dos textos prediletos dos neo-discípulos de Ário na luta contra a Trindade. Talvez seja o seu cavalo-de-batalha favorito.
RESPOSTA: Que Jesus está afirmando nessa passagem desconhecer o dia da Sua volta ninguém pode negar. Mas biblicamente em que implica Ele não saber? E sob qual condição Ele não sabia? Independente se Mateus escreveu seu evangelho por volta do ano 60 ou 90 d.C., o fato é que quando Paulo escreveu sua carta aos colossenses (ano 61-63 para a maioria dos estudiosos), Cristo já havia ascendido aos céus praticamente há três décadas. E nela, o doutor dos gentios registra que nEle "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3). Será que a Torre de Vigia poderia colocar um de seus famosos colchetes nessa passagem com a frase "exceto a Sua volta"? Até poderia porque a horda de falsificadores do Brooklyn já fez coisa pior. Se trinta anos mais tarde, Paulo ousa dizer que não há nada que Cristo não saiba, a conclusão sensata é que Ele não sabia o dia da Sua volta na condição humana em que Se encontrava. Por mais que pareça simplório, essa é a única explicação plausível com o que as Escrituras revelam a respeito do Filho de Deus. Pra encerrar, a expressão "Filho de Deus" não representa o que a STV ensina, ou seja, de que Jesus não é Deus, mas Filho de Deus. Se Jesus é Filho de Deus, logo é igual a Ele em natureza, assim como o filho de um casal humano tem a mesma natureza humana de seus pais. Os fariseus sabiam desse princípio de equivalência e por isso quiseram apedrejar a Jesus por se igualar a Deus dizendo que Este era Seu Pai (Jo 5.18).                                   

08 setembro 2017

SOBRE HEBREUS 1.3 (RESPOSTA À PÁGINA TJ " O PUBLICADOR DO REINO"


"O Publicador do Reino", aceitei seu desafio de refutar seus argumentos sobre Hb 1.3, o qual diz na nova TNM: "Ele é o reflexo da glória de Deus e a representação exata do seu ser...".
Já na ARC, lemos:
"O qual sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa...".
Em primeiro lugar, custa-me crer que a STV (Sociedade Torre de Vigia), nascida dezessete séculos depois da gênese do cristianismo possa "reinventar a roda", ou seja, reinterpretar (a sua conveniência) a exegese bíblica. O verdadeiro pai das TJs, Russell, nunca teve formação teológica e essa característica foi herdada por todos os integrantes de sua horda - a elite dirigente do Brooklyn - de todas as épocas até hoje. Assim sendo, a pose de erudição da STV não passa de propaganda enganosa e o que ela tem feito em toda a sua trajetória é citar pseudos-eruditos como Benjamin Wilson (de quem adquiriu o Emphatic Diaglott) e Johannes Greber ou citar fora-de-contexto eruditos de fato como o Dr. William Barcley, J.R. Mantey ou J.H. Thayer. E assim a STV vai forjando a sua imagem de pesudo-erudição a fim de manter cativas a si a mente incauta de seus adeptos.
Bom, PR, você se ufana por nada menos de seis vezes dizendo que seu argumento é "irrefutável" e desafia a qualquer trinitário a fazê-lo com base no vídeo e no raciocínio lógico. Não se preocupe, vou refutá-lo como você deseja, com base na lógica e no argumento ontológico. Porém, aí está uma causa básica da derrocada ariana da STV e de sua teologia rota: querer compreender racionalmente a natureza essencial de Deus (Jó 36.26; 37.23; Is 55.9) como se pudéssemos ensinar a lei da gravitação universal a um mosquito... O próprio salmista estupefato com a onisciência e a onipresença de Deus, declara:
"Tal conhecimento está além da minha compreensão. É tão elevado que não posso alcançá-lo" (Sl 139.6/nova TNM).
Pergunto: o fato da onipresença e principalmente da eternidade de Deus (Sl 90.2) é plenamente concebível aos processos metafísicos da nossa razão? Ainda que treinada durante toda a nossa vida, nossa mente concebe totalmente o fato de um Ser não ter começo e nada vir antes dEle? Pare agora e comece a pensar nisso. Chega a ser angustiante. É como a agulha de um velho toca-discos que chega ao ponto aonde o vinil está arranhado e volta. Vai e volta...
Isso acontece porque nossa mente só consegue prescrutar o finito. Essa incapacidade de compreendermos totalmente o Eterno indica que devamos rejeitar a eternidade de Deus ou aceitá-la pela fé ? (Hb 11.1,6). Por que então o argumento lógico vale para rejeitar a Trindade e não vale para rejeitar os atributos incomunicáveis de Jeová?
Hebreus 1.3 prova sim a co-divindade de Cristo com o Pai
Provavelmente a anônima epístola (na verdade, um verdadeiro tratado teológico) aos hebreus seja o 2º livro do NT que mais deixe claro a plena divindade de Jesus só perdendo para o evangelho de João. De fato, a sentença "expressa imagem" vem do grego character que quer dizer numa primeira acepção "uma imagem cunhada numa moeda a partir de uma matriz", ou seja, uma impressão. Você cita o minidicionário Strong enfatizando a 4ª acepção "cópia exata" daí sustentando que sendo Jesus uma "cópia" do Pai, Ele não pode ser coeterno com Este visto que a cópia vem sempre depois da original e que Jesus é cópia do Pai, mas não o Pai a cópia do Filho e blá-blá-blá...
Entretanto, (mesmo que esse argumento seja vago e até certo ponto sacrílego para exemplificar a relação das Pessoas na Divindade trina) o que estabelece a importância e utilidade de uma cópia, por exemplo, dum impresso gráfico: o papel ou o conteúdo copiado? As milhares de literaturas da STV são originais ou cópias produzidas a partir de uma matriz? Têm elas menos valor porque não são as originais? O que importa não é se o conteúdo contendo a ideia original foi fidedignamente copiado? O que ouvimos num CD não é a cópia exata do registro de uma gravação numa matriz?
Pois o fato de Cristo ser uma "cópia exata" do Pai não O reduz a uma criatura nem a um Ser que traz consigo apenas "qualidade divina". Character fala de essência transmitida. O filho que possui o caráter de seu pai não é apenas parecido com ele, mas traz a mesma essência de seu pai. E é isto que o autor de Hebreus quer destacar: Jesus possui a natureza do Pai. Por isso, Cristo não é criatura, pois sendo da mesma essência divina não teve começo. Isto é: sempre coexistiu no Ser do Pai. Em outras palavras, Cristo foi gerado (não criado) na eternidade pelo Pai. Uma semente de trigo possui entre outros componentes Fósforo, Potássio, Cálcio, Manganês, Ferro, Cobre e Zinco e irá caracterizar toda espiga num campo de plantação da gramínea.
Como por você citado - mas pra variar, dentro de uma cadeia semântica ariana - Jesus é o Unigênito do Pai (Jo 1.18). A expressão monogenes significa no texto original grego "único do tipo ou gênero". Cristo é o único Filho literal de Deus, pois foi gerado diretamente pelo Pai. Ora, no exemplo acima vimos que os elementos essenciais da semente do trigo são transmitidos a toda espiga. Se Cristo procede do Pai, sendo que é o único do gênero, Ele é concomitantemente Deus com o Pai (Jo 1.1). Uma semente de trigo não faz crescer uma espiga de milho...
Se algo ou alguém procede literalmente de Deus que é eterno, logo é coeterno com Ele como um mais um são dois. Isso sim é argumento lógico! Vocês testemunhas de Ário costumam citar (fora-de-contexto, é claro) Pv 8.22-31 numa falsa concordância hermenêutica com 1 Co 1.24 para ladrar que Cristo é uma criatura, pois figurativamente a Sabedoria no livro de Provérbios é (ou pode ser) Cristo. Agora pergunto: poderia haver a possibilidade de, em alguma era na eternidade, Jeová estar sem a Sua sabedoria? Ou a Sua sabedoria é coeterna com Ele?...
Há o fato adicional de que Cristo é não somente a "expressa imagem" do Ser divino em forma humana (Jo 1.14,18; 14.9; Fp 2.6-8), mas o "reflexo da glória de Deus". "Reflexo" no grego é apaúgasma indicando que Jesus resplandece com o reflexo da própria "glória" do Pai. Desse modo, em Jesus a natureza essencial do Pai é revelada literalmente como um espelho solar reflete o brilho do sol e pode produzir energia. Não como a lua que apenas é iluminada pelo sol em sua metade e não é capaz de refleti-la na Terra para proveitos energéticos. Preciso dizer mais alguma coisa?...
Para encerrar, citar a Bíblia NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje) como você fez não é uma boa alternativa para quem deseja demonstrar erudição. Entre no link a seguir e veja o porquê: http://respostaasseitas.blogspot.com.br/2017/06/a-origem-erudita-da-traducao-do-novo.html 
Meu caro desavisado que se esconde por detrás dessa página russellita (como os articulistas das literaturas TJs ocultam seus nomes por medo de alguém investigar as suas "credenciais acadêmicas"), continue regurgitando do interior  do seu ser essas asneiras teológicas aprendidas com a Torre de Vigia. É um direito seu. Saiba, porém, que a verdadeira Igreja (não organização) de Jesus está na Terra de prontidão para refutar seus desvarios e somente as mentes ignaras poderão lhes dar ouvido e crédito.
"E sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para podermos obter conhecimento daquele que é verdadeiro. E nós estamos em união com aquele ["em união com aquele" não existe nos originais] que é verdadeiro, por intermédio do seu Filho, Jesus Cristo. Esse [a tradução correta é "este"] é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Jo 5.20/nova TNM, Ênfase e colchetes por mim acrescentados).               

02 setembro 2017

AZERÁ, A DEUSA MÃE, JUSTIFICA O POLITEÍSMO MÓRMON? (Resposta a Marcelo Moreira da Silva)


Meu caro xará, que o Deus triúno de infinita bondade e misericórdia, que é Deus eternamente (Sl 90.2) e não divide a Sua glória com ninguém (Is 42.8) Se revele a você - nem que seja no crepúsculo de sua vida. Como já lhe falei, há 26 anos deixei o mormonismo e o fato de ter conhecido as doutrinas distintivas desse grupo e a comparação com a ortodoxia cristã despertou em mim o desejo de me aprofundar na apologética cristã. Não me tornei apologista para simplesmente afrontar o mormonismo - embora tenha de fato precisado muito disso logo de imediato devido à insistência e presunção dos missionários mórmons. Era praticamente uma inquisição pelo fato de, com o meu testemunho, o Espírito Santo (Jo 16.8) ter resgatado alguns membros de lá. O chamado à apologética cristã tem na Bíblia o seu fundamento (1 Pe 3.15; Jd 3b) e quando se trata de defender a Verdade não se tem como alvo este ou aquele grupo, mas todos os grupos heterodoxos que não só se opõem ao cristianismo ortodoxo, mas reinterpretam a própria Bíblia forjando a história para inserir a sua pretensa exclusividade antagônica.
Nesses anos todos tenho visto os mais absurdos sofismas, mas o pior é a desonestidade intelectual que grupos como as testemunhas de Jeová, por exemplo, lançam mão para manter seus adeptos psicologicamente e socialmente escravizados à elite dirigente.
Esse pode não ser exatamente o seu caso, mas ainda assim, surpreende-me o fato de seu muito bom nível de instrução não o deixar perceber o absurdo grotesco das referências que usa para advogar a causa mórmon da "Mãe Celestial". Fico pensando se realmente os mórmons mais esclarecidos como você se levam realmente a sério ou nutrem o mínimo de autorrespeito ao anularem suas liberdades individuais de não raciocinarem fora das afirmações doutrinárias que lhe são impostas. A sua citação ao historiador e antropólogo húngaro-judeu Raphael Patai e à escritora metodista Margaret Barker é um acinte ao bom senso. Aliás, a obscura doutrina da "Mãe Celestial" ultrapassa inclusive o limite do absurdo. Ela é uma verdadeira carnificina teológica, indigna até mesmo da afirmação do mormonismo em ser "o autêntico cristianismo".

Você em uma de suas mensagens diz "você ficará surpreso ao ver referências a Asherah em sua própria Bíblia".
Ora, amado, há mais de duas décadas e meia estudo a área de heresiologia, tenho 50 anos e, portanto, não tenho conhecimento superficial dessa disciplina e muito menos da Bíblia. O que me deixa estupefato e não exatamente surpreso é alguém bem instruído beber tão facilmente - como disse num de nossos diálogos - em fontes envenenadas para 'provar' algo que a meritocracia cristã já autodesqualifica automaticamente. Mas isso é uma característica comum a todo grupo religioso heterodoxo: justificar um erro com outro erro. Parece até que a máxima de Maquiavel "os fins justificam os meios" cabe bem a todos eles. Mas vamos ao que realmente interessa!
A Bíblia fala de Azerá, mas referenda o seu culto?
Segundo Hestrin (1991), Azerá é citada cerca de 40 vezes no Antigo Testamento. Muito provavelmente a primeira referência à deusa cananeia da fertilidade está em Dt 16.21,22. A Almeida Revista e Corrigida (ARC) traduz a expressão por "bosque de árvores", já a Almeida Revista e Atualizada (ARA) traz o termo "poste-ídolo", a Edição Pastoral católica "poste sagrado". Há muito que se sabe que esses postes-ídolos são a representação de Azerá. Isso significa que o culto a essa divindade feminina, consorte de Baal, é extremamente antigo. Vários pesquisadores, entre eles Mary Schultze, apontam a origem desse culto pagão às lendas que se desenvolveram em torno da morte do personagem bíblico Ninrode, o primeiro homem a construir uma civilização antiteocêntrica tendo ele mesmo como líder (Gn 10.8-11; 11.1-9).
De acordo com uma dessas lendas descritas na Enciclopédia Britânica, Ninrode morreu quando sua esposa e mãe, Semíramis estava grávida dele. Seus súditos-adoradores criaram a lenda de que ele havia se tornado o deus-sol, o senhor do universo. Em vida o despotismo de Ninrode não tinha limites, tanto que se casou com sua própria mãe. Esta deu à luz a Tamuz - este veio a ser adorado posteriormente como Moloque pelos amonitas (Lv 20.1-5) - insinuando sua mãe ser ele a reencarnação de Ninrode.
Segundo ainda mais especificamente a EB, Tamuz foi morto por um porco ou javali selvagem quando ainda moço. Semíramis e suas mulheres serviçais o choraram e jejuaram por ele durante 40 dias até que ele foi trazido de volta à vida. Isso teria sido uma demonstração do poder de sua mãe de tê-lo trazido de volta à vida. Ela então veio a ser adorada com o título de "rainha dos céus" por ser a esposa do deus-sol (mais tarde, Baal que quer dizer "meu senhor"). A crença pagã na "rainha dos céus" se espalhou a vários povos, com diferentes nomes. Chegou a Canaã sob o título de Azerá, mas entre os fenícios era conhecida como Astarte (Ashtar) ou Asterote. Grandes navegadores, o fenícios difundiram essa crença pelo mundo antigo.
Foi contra este culto idólatra que o profeta Jeremias protestou vigorosamente (Jr 7.18; 44.15-19, 23,25) pouco antes do cativeiro de Judá. Este culto chegou às culturas clássicas da Grécia e de Roma como Cibele e seu filho Deoius, base original do culto católico-romano à Virgem Maria. O fato de Jeremias se opor a ele é prova por si só que não se trata de revelação divina e que jamais a Bíblia o referendou. Então por que o mormonismo o cita para fundamentar a sua esdrúxula crença na "Mãe Celestial"? Teriam as descobertas arqueológicas de Raphael Patai e os escritos de Margaret Barker mais autoridade do que a Palavra de Deus para dizer que os mórmons têm razão em defenderem a sua crença supra-pagã?
O fermento enrustido do racionalismo e do liberalismo teológico na teologia
Não é preciso ser doutor, meu caro Marcelo, basta ter pelo menos o ensino fundamental completo, para se saber que a partir da segunda metade do século XIX, o racionalismo tendo o homem como a medida de todas as coisas (antropocentrismo) e não mais Deus, começou uma empreitada de explicar a origem de todas as coisas sem o apoio da revelação divina. Esta seria ultrapassada, a causa do atraso científico na Idade Média, fruto da ignorância e da superstição religiosa, segundo seus proponentes. Partindo dessa premissa ateia, começou-se a tentar expurgar da Bíblia toda referência ao sobrenatural. Tendo como paradigma investigativo o evolucionismo de Darwin, a Palavra de Deus passou a ser encarada apenas como um livro humano com algum valor histórico, mas enxertada com mitos e lendas religiosas usadas para referendar algum domínio espiritual ou social sobre os homens.
Enquanto estou escrevendo agora fico me autoquestionando por que estou perdendo tempo com essa baboseira da "Mãe Celestial", se a própria Bíblia se encarrega de refutá-la como crença eminentemente pagã. Mas talvez porque mórmons não conhecem-na e você no alto de sua estultícia me desafiou dizendo que eu me surpreenderia com as referências bíblicas sobre ela.
Bom, meu caro, essa mesma linha de raciocínio do racionalismo diz entre outras coisas que o relato do Gênesis não passa de uma lenda nacional de Israel, não-original e inspirada em outras lendas correlatas de outros povos. A própria crença em Iavé (ou Jeová) no AT é reinterpretada como um produto do IX século a.C. promovida para fundamentar a preponderância de um deus masculino e assim substanciar o patriarcalismo hebreu. Nesse caso, interpreta-se que Iavé era apenas um Deus nacional antes co-adorado como El ao lado de sua consorte Azerá.
Em linhas gerais, esse é o mesmo argumento de Raphael Patai, que embora judeu, era um apóstata e racionalista moderno. Ora, os achados arqueológicos de objetos que fazem referência à Azerá não provam que supostos "redatores finais" do AT tendenciavam suprimir o culto a uma deidade feminina para promover o culto exclusivo a Iavé. Antes provam a coerência da Bíblia com a História e a arqueologia. Agora, eu posso achar uma bagana de cigarro no pátio de minha casa suja de sangue e dizer que a pessoa que o fumou cortou a boca. Se eu for incoerente, taxativo e inflexível querendo endeusar a minha tese, procurarei obcecadamente provar a todos que o fumante cortou-se na boca. Mas, e se o foi nos dedos???...
Dados, meu amado, podem ser manipulados ao sabor daquilo que se intenta transmitir como informação - nesse caso de Patai, desinformação. E qual é o peso disso para quem é incauto? O peso intelectual. Patai era antropólogo e o pior: era judeu. Mas assim é o mito do evolucionismo também. Pseudo-cientistas PHDs em genética, arqueologia, paleontologia exercitando uma verdadeira "fé" numa seita ateísta - travestida de ciência - tentando reconstruir a tal da estória dos elos evolutivos do homem através de um dente de uma espécie de porcos extinta...
Isso não é ciência. É manipulação e desonestidade intelectual. As mesmas que levaram Patai a escrever A Deusa Hebraica. Aliás, Patai escreveu também (em coautoria com Robert Graves) Mitos Hebraicos: O Livro de Gênesis, de 1983. Destarte, Patai era judeu por herança, mas tudo menos religiosamente ortodoxo. E a vossa magnânima pusilanimidade sectária, Marcelo, com as garras de um leão faminto e sedento foi deglutir. Nada mais natural, porém, em se tratando de um mórmon.
Já Margaret Barker (que você intitula "evangélica", na verdade ela é metodista, uma igreja herdeira do protestantismo histórico), de corrente teológica liberal alucinógena, inventou a Teologia do Templo, uma tese que resumidamente vê no ritualismo judaico do Templo elementos místicos com tendência ao gnosticismo. Nada ortodoxo, não? Suas fontes além do AT hebraico, a Septuaginta, os pergaminhos do Mar Morto e o NT grego são os apócrifos judaicos e cristãos, os pseudepígrafos e, claro, os textos gnósticos. Mas como o mormonismo gosta de misturar as coisas (é um absurdo sincretismo de sacerdotalismo judaico, paganismo, kardecismo, maçonaria e elementos da Nova Era, etc.,embrulhados na terminologia cristã) suas teses devem bem servir para você. A propósito, o livro dela citado por você, A Mãe do Senhor, procura traçar a origem da mariolatria católica nas fontes do paganismo. Se o conceito de uma Deusa Mãe é claramente uma crença enraizadamente pagã (mesmo que Barker queira dizer que algum dia os judeus a tenham encarado como ortodoxa), naturalmente não é cristã e por fim, está descrita na Bíblia como o incesto, o adultério, a fornicação e a poligamia, mas não é doutrina bíblica.
"Mas temo que, assim como serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis" (2 Co 11.3,4).                     

18 agosto 2017

A Adoração da [Grande Deusa] Mãe [Pagã] e do Filho

UM DOS EXEMPLOS MAIS destacados de como o paganismo babilônico tem continuado até nossos dias pode ser visto na maneira como a igreja romanista inventou a adoração a Maria para substituir a antiga adoração à deusa-mãe.

A história da mãe e do filho foi largamente conhecida na antiga Babilônia e desenvolveu-se até ser uma adoração estabelecida. Numerosos monumentos da Babilônia mostram a deusa-mãe Semíramis com seu filho Tamuz nos braços (1).
Esta imagem de "Maria" e "Jesus" tem em Semíramis e seu filho Tamuz a sua inspiração
Quando o povo da Babilônia foi espalhado para as várias partes da terra, levaram consigo a adoração da mãe divina e de seu filho. Isto explica porque muitas nações adoravam uma mãe e um filho – de uma forma ou de outra – séculos antes do verdadeiro Salvador, Jesus Cristo, ter nascido neste mundo. Nos vários países onde este culto se espalhou, a mãe e o filho foram chamados por diferentes nomes, pois, relembramos, a linguagem foi confundida em Babel. 
Os chineses tinham uma deusa-mãe chamada Shingmoo ou “Santa Mãe”. Ela é representada com um filho nos braços e raios de glória ao redor da cabeça (2). 
A Shingmoo chinesa com seu filho no colo. Coincidência?
Os antigos germanos adoravam a virgem Hertha com o filho nos braços. Os escandinavos a chamavam de Disa, que também era representada com um filho. Os etruscos chamavam-na de Nutria, e entre os druidas a Virgo-Patitura era adorada como a “Mãe de Deus”. Na Índia, era conhecida como Indrani, que também era representada com o filho nos braços. 
A deusa-mãe era conhecida como Afrodite ou Ceres pelos gregos; Nana, pelos sumérios, e como Vênus ou Fortuna, pelos seus devotos nos velhos dias de Roma, e seu filho como Júpiter (3). Por várias eras, Ísis, a “Grande Deusa” e seu filho Iswara, têm sido adorados na Índia, onde templos foram erigidos para sua adoração (4).
Na Ásia, a mãe era conhecida como Cibele e o filho como Deoius. “Mas, a despeito de seu nome ou lugar”, diz um escritor, “ela foi a esposa de Baal, a virgem rainha dos céus, que ficou grávida, sem jamais ter concebido de varão” (5).
Quando os filhos de Israel caíram em apostasia, eles também foram enganados por esta adoração da deusa-mãe. Como lemos em Juízes 2.13: “Eles deixaram ao Senhor: e serviram a Baal e a Astarote”. Astarote ou Astarte era o nome pelo qual a deusa era conhecida pelos filhos de Israel. É penoso pensar que aqueles que haviam conhecido o verdadeiro Deus, o abandonassem e adorassem a mãe pagã. Ainda assim era exatamente o que faziam repetidamente (Juízes 10.6; 1 Samuel 7.3,4; 12.10; 1 Reis 11.5; 2 Reis 23.13). Um dos títulos pelos quais a deusa era conhecida entre eles era o de “rainha dos céus” (Jeremias 44.17-19). O profeta Jeremias repreendeu-os por adorarem-na, mas eles se rebelaram contra sua advertência. 
Em Éfeso, a grande mãe era conhecida como Diana. O templo dedicado a ela, naquela cidade, era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Não somente em Éfeso, mas em toda a Ásia e em todo o mundo a deusa era adorada (Atos 19.27)
No Egito, a mãe era conhecida como Ísis e seu filho como Horus. É muito comum os monumentos religiosos do Egito mostrarem o infante Horus sentado no colo de sua mãe.
Comparação entre as representações de Ísis e Horus egípcios e "Maria" e "Jesus" infante
Essa falsa adoração, tendo se espalhado da Babilônia para as diversas nações, com diferentes nomes e formas, finalmente estabeleceu- se em Roma e em todo o Império Romano. Diz um notável escritor com relação a este período: “A adoração da Grande Mãe... foi... muito popular sob o Império Romano. Inscrições provam que os dois (mãe e o filho) recebiam honras divinas... não somente na Itália e especial em Roma, mas também nas proximidades, especialmente na África, Espanha, Portugal, França, Alemanha e Bulgária”. (6)
Foi durante esse período quando o culto da mãe divina foi muito destacado, que o Salvador, Jesus Cristo, fundou a verdadeira Igreja do Novo Testamento. Que gloriosa Igreja ela foi naqueles dias primitivos. Pelo terceiro e quarto século, contudo, o que era conhecido como a “igreja” havia, em muitas maneiras abandonado a fé original, caindo em apostasia a respeito do que os apóstolos haviam avisado. Quando essa “queda” veio, muito do paganismo foi misturado com o cristianismo. Pagãos não convertidos eram tomados como professos na igreja e em numerosas ocasiões tinham a permissão de continuar muitos dos seus rituais e costumes pagãos usualmente com umas poucas reservas ou mudanças, para fazer suas crenças parecerem mais semelhantes à doutrina cristã.
Um dos melhores exemplos de tal transferência do paganismo pode ser visto na maneira como a igreja professa permitiu que o culto da grande mãe continuasse – somente um pouquinho diferente na forma e com um novo nome. Veja você, muitos pagãos tinham sido trazidos para o cristianismo, mas tão forte era sua adoração pela deusa-mãe, que não a queriam esquecer. Líderes da igreja comprometidos viram que, se pudessem encontrar alguma semelhança no cristianismo com a adoração da deusa-mãe, poderiam aumentar consideravelmente o seu número. Mas, quem podia substituir a grande mãe do paganismo? É claro que Maria, a mãe de Jesus, pois era a pessoa mais lógica para eles escolherem. Ora, não podiam eles permitir que as pessoas continuassem suas orações e devoções a uma deusa-mãe, apenas chamando-a pelo nome de Maria, em lugar dos nomes anteriores pelos quais era conhecida? Aparentemente foi este o raciocínio empregado, pois foi exatamente o que aconteceu. Pouco a pouco, a adoração que tinha sido associada à mãe pagã foi transferida para Maria. 
Mas a adoração a Maria não fazia parte da fé cristã original. É evidente que Maria, a mãe de Jesus, foi uma mulher excelente, dedicada e piedosa – especialmente escolhida para levar em seu ventre o corpo de nosso Salvador – mesmo assim nenhum dos apóstolos nem mesmo o próprio Jesus jamais insinuaram a ideia da adoração a Maria. Como afirma a Enciclopédia Britânica, durante os primeiros séculos da igreja, nenhuma ênfase, fosse qual fosse, era colocada sobre Maria (7). Este ponto é admitido pela The Catholic Encyclopedia também: “A devoção a Nossa Bendita Senhora, em última análise, deve ser olhada como uma aplicação prática da doutrina da Comunhão dos Santos. Vendo que esta doutrina não está contida, pelo menos explicitamente, nas formas primitivas do Credo dos Apóstolos, não há talvez qualquer campo para surpresa de não descobrirmos quaisquer traços do culto da Bendita Virgem nos primeiros séculos cristãos”, sendo o culto de Maria um desenvolvimento posterior. (8)
Não foi até o tempo de Constantino – a primeira parte do quarto século – que qualquer um começou a olhar para Maria como uma deusa. Mesmo neste período, tal adoração foi combatida pela igreja, como é evidente pelas palavras de Epifânio (403 d.C.) que denunciou alguns da Trácia, Arábia, e qualquer outro lugar, por adorarem a Maria como uma deusa e oferecerem bolos em seu santuário. Ela deve ser honrada, disse ele, “mas que ninguém adore Maria”. (9). Ainda assim, dentro de apenas uns poucos anos mais, o culto a Maria foi não apenas ratificado pela que conhecemos hoje como Igreja Católica, mas tornou-se uma doutrina oficial no Concílio de Éfeso em 431.
Em Éfeso? Foi nessa cidade que Diana tinha sido adorada como a deusa da virgindade e da fertilidade desde os tempos primitivos. (10) Dizia-se que ela representava os primitivos poderes da natureza e foi assim esculpida com muitos seios. Uma coroa em forma de torre, símbolo da torre de Babel, adornava sua cabeça.
Quando as crenças são por séculos conservadas por um povo, elas não são facilmente esquecidas. Assim sendo, os líderes da igreja em Éfeso – quando veio a apostasia – também raciocinaram que se fosse permitido às pessoas conservarem suas ideias a respeito de uma deusa-mãe, se isto fosse misturado com o cristianismo e o nome de Maria fosse colocado no lugar, eles poderiam ganhar mais convertidos. Mas este não era o método de Deus. Quando Paulo veio para Éfeso nos dias primitivos, nenhum compromisso foi feito com o paganismo. As pessoas eram realmente convertidas e destruíram seus ídolos da deusa (Atos 19.24-27). Quão trágico que a igreja em Éfeso, em séculos posteriores, se comprometesse e adotasse uma forma de adoração da deusa-mãe, tendo o Concílio de Éfeso finalmente transformado isto em uma doutrina oficial.
Uma posterior indicação que o culto a Maria passou a existir partindo do antigo culto à deusa-mãe, pode ser visto nos títulos que são atribuídos a ela. Maria é frequentemente chamada “A Madona”. De acordo com Hislop, esta expressão é a tradução de um dos títulos pelos quais a deusa babilônica era conhecida. Em forma deificada, Ninrode veio a ser conhecido como Baal. O título de sua esposa, a divindade feminina, seria o equivalente a Baalti. Em português, esta palavra significa “minha Senhora”; em latim “Mea Domina”, e em italiano, foi corrompida para a bem conhecida “Madonna”. (11) Entre os fenícios, a deusa-mãe era conhecida como “A Senhora do Mar” (12), e até mesmo este título é aplicado a Maria – embora não exista qualquer conexão entre Maria e o mar.
As Escrituras tornam claro que existe apenas um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem (1 Tm 2.5). Ainda assim o catolicismo romano ensina que Maria também é uma “mediadora”. As orações para ela formam uma parte muito importante do culto católico. Não existe base escriturística para esta ideia, embora este conceito não fosse estranho às ideias ligadas à deusa-mãe. Ela trazia como um dos seus títulos “Milita”, que é a “Mediatrix”, “Medianeira”, ou “Mediadora”. 
Maria é frequentemente chamada “rainha dos céus”. Mas Maria, a mãe de Jesus, não é a rainha dos céus. “A rainha dos céus” foi um título da deusa-mãe que foi adorada séculos antes de Maria ter ao menos nascido. Bem antes, nos dias de Jeremias, o povo estava adorando a “rainha dos céus” e praticando rituais que eram sagrados para ela. Como lemos em Jeremias 7.18-20: “Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à rainha dos céus”
Um dos títulos pelos quais Ísis era conhecida era a “mãe de Deus”. Mais tarde este mesmo título foi aplicado a Maria pelos teólogos de Alexandria. Maria era, é claro, a mãe de Jesus, mas somente no sentido de sua natureza humana, sua humanidade. O significado original de “mãe de Deus” ia, além disto; acrescentava uma posição glorificada à MÃE e a igreja católica da mesma maneira foi muito ensinada a pensar assim a respeito de Maria. 
A imagem da deusa-mãe com o filho nos braços estava tão firmemente gravada na mente pagã quando vieram os dias da apostasia que, de acordo com um escritor, a antiga imagem de Ísis e do filho Horus foi finalmente aceita, não somente na opinião popular, mas, por sanção episcopal formal como a imagem da Virgem e do seu filho. (13) Representações de Ísis e do seu filho foram frequentemente colocadas em uma moldura de flores. Esta prática também foi aplicada a Maria, como aqueles que têm estudado arte medieval bem sabem. 
Astarte, a deusa fenícia da fertilidade, era associada com a lua crescente. A deusa egípcia da fertilidade, Ísis, era representada como estando de pé sobre a lua crescente com estrelas rodeando sua cabeça. (14) Nas igrejas católicas romanas por toda a Europa podem ser vistas pinturas de Maria exatamente da mesma maneira. 
Ishtar-Astarte
De numerosas maneiras, líderes da apostasia tentaram fazer Maria parecer semelhante às deusas do paganismo e exaltá-la a um plano divino. Uma vez que os pagãos tinham estátuas da deusa, assim também estátuas eram feitas de “Maria”. Diz-se que em alguns casos, as mesmas estátuas que tinham sido adoradas como Ísis (com seu filho) simplesmente ganharam outro nome, como de Maria e Cristo menino. Quando o cristianismo triunfou, diz um escritor, “estas pinturas e figuras tornaram-se as figuras da madona e do filho sem qualquer quebra da continuidade: nenhum arqueólogo, de fato, pode agora dizer se alguns desses objetos representam uma ou outra”. (15)
Muitas dessas figuras renomeadas foram coroadas e adornadas com jóias – exatamente da mesma maneira das imagens das virgens hindus e egípcias. Mas Maria, a mãe de Jesus, não era rica (Lucas 2.24; Lv 12.8). De onde, então, vieram essas jóias e coroas que são vistas nestas estátuas que supostamente são dela? 
Através de compromissos – alguns muito óbvios outros mais ocultos – a adoração da antiga mãe continuou dentro da “igreja” da apostasia, misturada, com o nome de Maria sendo substituto dos antigos nomes. 
Notas
01. Encyclopedia of Religions,vol. 2, p.398
02. Gross, The Heathen Religion, p.60
03. Hislop, The Two Babylons, p.20
04. Ibid.
05. Bach, Strange Sects and Curious Cults, p. 12
06. Frazer, The Golden Bough, vol. 1, p. 356.
07. Encyclopedia Britannica, vol. 14, p. 309
08. The Catholic Encyclopedia, vol. 15. p. 459, art. “Virgin Mary”. 
09. Ibid., p. 460
10. Fausset´s Bible Encyclopedia, p. 484
11. Hislop, The Two Babylons, p. 20
12. Harper´s Bible Dictionary, p. 47
13. Smith, Man and His Gods, p. 216.
14. Kenrich, Egypt, vol. 1, p.425. Blavatisky, Isis Unveiled, p. 49. 
15. Weigall, The Paganism in Our Christianity, p. 129. 

Fonte: Ralph Woodrow, Babilônia: a Religião dos Mistérios, 

Observação:
Na igreja da apostasia, Maria continua sendo a “Rainha do Céu e da Terra”, dentre outros muitos títulos: 
“Pela ligação maternal a Jesus, Maria está intimamente associada à sua obra redentora, merecendo o título de Co-redentora, que inclui outros que a piedade cristã lhe atribui: Advogada, Auxiliadora, Me­dianeira… Mãe de Jesus, Maria é também Mãe do seu Corpo Místico, pelo que lhe cabe o título deMãe da Igreja, usado por Paulo VI (21.11.1964) , título que não chegou a ser objecto de definição dogmática pelo Conc. Vat. II, que o julgou pressuposto na sua Ma­ter­nidade Espiritual, função que perdura na sua vida celeste como Me­dia­ção Universal a favor de todos os homens. A coroar todas as outras prer­roga­tivas, temos finalmente a sua glo­ri­fica­ção como Rainha do Céu e da Terra." (Cf. Cat. 484-507; 721-726; 963- -975). (Enciclopédia Católica Popular – http://www.ecclesia.pt/catolicopedia )

Pr. Airton E.da Costa

Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).
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